Milhões de explicações irão surgir para explicar a derrota, assim como eram muitos os números que buscavam para garantirem a vitória do Brasil. Mas futebol se ganha no campo; fora dele, você só se prepara para minimizar os riscos e potencializar as características mais fortes.

O Brasil começou a perder lá atrás. Uma geração foi perdida com a perda do Adriano, Kaká e Ronaldinho Gaúcho (essa lembrança é do Fernando Lôpo). Antes da Copa, quando me perguntavam sobre o Brasil, eu explicava o meu descrédito com a inexperiência do time: não há aquele jogador que chamamos de "cascudo". Ele não precisa ser o melhor, mas é aquele que dita o ritmo, que é experiente e que os mais novos olham procurando por tranquilidade.

Não há um Schweinsteiger, um Pirlo. Não há um Didi. O "Princípe Etíope", na final de 58, quando o Brasil levou o 1º gol, caminhou até dentro, pegou a bola, colocou-a debaixo do braço e foi CAMINHANDO até o meio-campo. Zagallo falou isso:

“Eu já estava na ponta-esquerda, pronto para dar a saída, e vi o Didi andando devagar com a bola nos braços. Fui desesperado em direção a ele, gritando: ‘vamos, Didi, estamos perdendo!’. E ele: ‘calma, garoto. Nosso time continua sendo melhor que o deles. Fica tranquilo que a gente já vira esse jogo’”, conta Zagallo ao FIFA.com. “E, ouvindo aquilo, de repente todo mundo ficou calmo. Empatamos cinco minutos depois, e o resto é história. Assim era o Didi: fazia tudo parecer fácil, fácil.”

Nunca teremos outro Didi. Ou mais ninguém do passado. Mas a lição que fica é que um time inexperiente não vence.

Outro aspecto é o psicológico. Muitos foram as notícias sobre o descontrole emocional e isso só foi discutido DURANTE a Copa. Ninguém da CBF havia notado isso na preparação? Ora, ainda no jogo inicial, Thiago Silva estava chorando antes da entrada. Julio Cesar, hoje, falou logo sobre as suas muitas falhas na Copa de 2010, que deixam claro que isso estava bem fresco na sua cabeça - e ele deveria ser um dos líderes. E líderes guiam e olham para frente.

Foi duro. Mas deve ter sido mais duro ainda para aqueles que não são tão ligados em futebol, mas que se envolvem demais na seleção brasileira na Copa do Mundo., A julgar pelo que li, não contavam com a derrota. E quando não existe na cabeça a possibilidade de ser vencido, a derrota é devastadora.
Que essa geração não seja queimada para 2018. A derrota para a Argentina em 90 ajudou e muito em 94.