Por todos os lados, mas não de todas as direções, brotam sentimentos de ódio em relação aos argentinos. Desta vez, usando a justificativa das confusões aprontadas por milhares de hermanos no Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Sim, são milhares. E a maioria de homens. Anotem o dado por enquanto.

Homens, longe de casa e sem mulheres por perto, costumam se comportar mal ou fazerem brincadeiras que lembram adolescentes, algumas verbais, outras não. Perguntem, então, aos seus amigos que moram nos EUA ou na Europa, a fama de brasileiros por lá - as chances são grandes de ela ser medida pelos grupos de homens, não pela população turista. Aliás, não só a de brasileiros. Consultem também o que acham dos jovens espanhóis, por exemplo.

Lembrando aqui de quando nós botafoguenses estávamos em Buenos Aires e cantávamos alto em uma praça de Palermo às 4 da manhã. Se um grupo de argentinos aparecesse por lá, haveria uma boa chance de se repetir o que aconteceu em Belo Horizonte.

Isso não quer dizer que a zona seja aceitável. Mas ela é comum a muitas nacionalidades justamente por não ter relação algumas com o país, mas, principalmente, com a juventude e à falta de educação.

Os argentinos não são os bagunceiros que vieram para cá. Mas aqueles que aproveitaram a situação para dizer que odeiam pessoas, que elas têm mais que entrar na porrada por causa da sua nacionalidade, que os argentinos são todos uns fedidos, são e sempre serão brasileiros.

Há um misto de patriotismo e nacionalismo nessas reações. E embora ambos os sentimentos sejam também detestáveis, um é mais perigoso que o outro, claro.

E é isso que me envergonha. Os argentinos voltarão para casa, mas os "nossos" idiotas ficam.