Uma foto-resumo da Ucrânia (Chicago Tribune)
Madrugada agitada na Ucrânia. O presidente fugiu da capital, mas anunciou que não renunciou. A Câmara acabou de destituir o presidente e convocou novas eleições. Os deputados estão sendo saudados nas ruas.

Também agora, a antiga primeira-ministra, Yulia Tymoshenko, foi libertada da prisão. Ela havia sido presa por corrupção em um processo bastante contestado.

O carro com a ex-primeira ministra (@MaloverjanBBC)
A Ucrânia encontra-se agora com dois problemas. O primeiro é como irão lidar com essa transição. A volta à Constituição de 2004 parece ser um bom início, mas vamos ver qual será o papel do partido de ultra-direita Svoboda nessa transição.

O segundo problema é a região da Crimeia, fortemente ligada à Rússia. O vídeo abaixo mostra o espancamento de um soldado na região por ucranianos pró-Rússia. Há até queima de bandeira americana. A região irá aceitar um novo governo que, se seguir a vontade popular, terá que se afastar da Rússia e se aproximar da União Europeia?

E qual será a reação de Putin? O agora ex-presidente Yanukovych seguiu a linha russa e apontou que houve um golpe nazista na Ucrânia. Eles forçarão a total independência da Crimeia? Lembrando que ela é uma República Autônoma, mas ligada à Ucrânia, porém, com constituição própria.

Na Crimeia, zona da Ucrânia mais ligada à Rússia, 
manifestantes espancam um soldado

Nessa manhã, invadiram a mansão do ex-presidente Yanukovych. O lugar é tão grande que havia um zoológico lá dentro. Em um rio próximo a uma das casas abandonadas pelo ex-presidente, foram encontrados muitos documentos. André Fran fez uma boa comparação:

Também pela manhã, houve a derrubada de várias estátuas do Lênin. A imagem do ex-ditador soviético ainda é uma importante lembrança dos séculos de domínio russo. Para entender melhor a formação da identidade da Ucrânia, leia o meu texto anterior sobre a crise na Ucrânia

Se essa transição for feita de maneira correta, mantendo as eleições, são grandes as chances de que ela contagie outros lugares. A questão é aguardar os próximos acontecimentos e ver as ligações políticas dos ministros interinos que devem ser indicados - e quem fará as indicações também é importante. Que seja o Congresso.

Finalizando, um bom artigo da revista americana (e mais próxima dos Democratas), Slate que rebate as acusações de que os manifestantes são ligados à extrema-direita e/ou ao nazismo.

Vamos ver agora como essas notícias serão recebidas na Venezuela.