Embora não tenham mais o hype pós-Alta Fidelidade, listas ainda podem ser úteis. Por ela, podemos conhecer bandas novas, dar uma nova chance a algum álbum ou artista que tenha passado sem a devida atenção ou, seguindo a tradição do filme/livro, por que fazer e comparar listas é divertido.

2013 foi um excelente ano de lançamentos. Tivemos lançamentos de grandes grupos e artistas que chamaram bastante atenção, como David Bowie, Daft Punk e Primal Scream. O Bon Jovi também lançou um álbum, mas ele é tão ruim quanto o show do grupo no Rock in Rio.

Na minha lista, basicamente novos artistas. Talvez, em relação aos artistas com carreiras já consolidadas, eu tenha carregado a imagem que eu tenha deles e, assim, os discos não tenham causado tanto impacto.

E como DJ da Festa Rockzinho, fico feliz de ter conseguido tocar nas festas quase todos os grupos que compõe essas listas. Se a memória não me falha, somente o Bloody Beetroots ficou de fora por eu ter ouvido somente nesse último mês. Aliás, acredito que o papel de um DJ seja não apenas criar a trilha sonora para uma noite especial; mas, também, apresentar lançamentos e grupos que ficaram perdidos na história.

Vamos à lista dos 10 melhores álbuns:

1 - Public Service Broadcasting - "Inform - Educate - Entertain"



O Public Service Broadcasting é, na verdade, uma dupla inglesa. Para ajudar, uma comparação boa é chamá-los de "Kraftwerk do século XXI". As suas músicas são colagens de arquivos de sons de propagandas governamentais em rádios e vídeos, misturando com sons de rádio, guitarras, banjos e outros instrumentos.

Ouça. Eu comecei a fazê-lo há meses e não consegui parar até agora.

2 - Savages - "Silence Yourself"



"Husbands" é uma das canções mais fortes em muito tempo. Nela, a vocalista francesa (a banda é inglesa) Jehnny Beth, em um tom paranóico e desesperado, em um estilo que lembra um pouco a Siouxsie, reclama que "acordou e viu a face de um cara/ Eu não sei quem ele era, ele não tinha olhos"

Podemos, a partir daí, passar para diferentes tipos de interpretações, mas é inútil. Ouvir a Jehnny, com aquele sotaque francês gritar "husbands! Husbands! Husbands!" com uma furiosa guitarra de fundo, quase vale o disco. E eles ainda compuseram "City's Full" que abre como se fosse uma canção do Jesus & Mary Chain.

3 - The Bloody Beetroots - "Hide"



O Bloody Beetroots é, na verdade, um homem só: Sir Bob Cornelius Rifo, um italiano que produziu inúmeros remixes de grandes artistas de vários estilos e que lançou o seu segundo álbum com participação de gente como Paul McCartney, Peter Frampton e Penny Rimbaud, o líder da grande banda anarco-punk, Crass).

No disco, para quem não gosta muito do estilo, algumas faixas podem soar como "bate-estaca", mas canções como "Out of Sight" (com o Paul) e a caótica "The Furious", com o Penny Rimbaud, destacam-se.

4 - VNV Nation - "Transnational"



O VNV Nation possui mais de 20 anos de carreira e lançam regularmente álbuns desde o final da década de 90. Também da área do eletrônico, flertam com o Industrial em alguns momentos.

"Transnational" é coerente do início ao fim, mas canções como "Aeroscope", "Primary" e a pesada "Retaliate" são as melhores.

5 - Haim - "Days Are Gone"



Haim é a banda pop queridinha do momento. Não é para menos, as três mulheres fazem uma espécie de releitura do Fletwood Mac com elementos indie que tem agradado a todos.

As canções falam de relacionamentos, com boa parte delas com um tom já de submissão ou derrota. Porém, as músicas são para cima, com um clima leve e bem dançante.

6 - Miles Kane - "Don't Forget Who You Are"



Miles Kane era o vocalista do The Rascals até 2009, quando a banda encerrou as suas atividades. A partir dali, ele seguiu carreira solo, chegando em 2013 ao seu segundo disco e tendo apenas 27 anos de idade.

"Don't Forget Who You Are" parece ter sido escrito pensando em alguém e, com isso, Miles se vê em um momento de transformação na vida. Não tenho como saber se isso é verdade, ou se apenas é um personagem criado pelo autor que está nessa condição; mas a verdade é que existem tem artistas que só produzem bem quando estão passando por momentos complicados emocionalmente. Se for esse o caso, talvez essa seja a razão de "Don't Forget Who You Are" ser muito superior ao seu antecessor, "Colour of the Trap" (2011).

7 - Eleanor Friedberger - "Personal Record"




Eleanor é a personagem da música "Eleanor Put Your Boots On", do 2ª ábum do Franz Ferdinand. A antiga banda dela, The Fiery Furnaces, abriu alguns shows do FF em 2004 e ela e Alex Kapranos, vocalista, tiveram um relacionamento durante a turnê.

Mas hoje Eleanor seguiu carreira solo e já está no seu segundo álbum. Assim como o nome informa ("Personal Record"), trata-se de um disco com temas bem íntimos, alternando canções alegres com outras mais para baixo - que dão a tônica.

A animadíssima "Stare at the Sun" é o destaque, curiosamente.

8 - Gabrielle Aplin - "English Rain"



Gabrielle é uma inglesa de apenas 21 anos que toca todos os instrumentos das suas gravações, gravou 3 EPs, montou seu próprio selo ("Never Fade" - mas já contratou outros artistas) e lançou o seu primeiro álbum em maio de 2013. Um feito e tanto para alguém tão novo.

Eu tive a oportunidade de assistir um show dela em uma pequena casa em Berlim, em junho. Ela estava sem a banda, apresentou-se sozinha, apenas revezando entre o violão e o piano. Eu já conhecia o disco, ao contrário da maioria das outras 50 pessoas que lá estavam, mas ela cativou a todos com a voz suave e o talento das composições.

"Keep on Walking" é a minha música preferida de 2013.

9 - MS MR - "Secondhand Rupture"



Mais um duo a figurar aqui na lista, o MS MR faz um indie pop que me levou, na primeira audição, a achar que se tratava de uma música da Florence and the Machine.  Porém, o engano parou por aí e o álbum passou a ter o mesmo destaque dos belos cabelos azuis da vocalista Lizzy Plapinger.

Curiosidade: o nome da banda é por que ela é formada por uma mulher ("MS") e um homem ("MR").

10 - Empire of the Sun - "Ice On the Dune"



A lista fecha com outra dupla de eletrônico, desta vez, da Austrália. É música para pistas, puxada pela excelente "Alive". Os vocais, assim como as roupas, são exagerados, com refrões perfeitos e fáceis de serem cantados.

Nick Littlemore, um dos integrantes, já produziu nomes como Elton John e Robbie Williams e é, também, compositor e diretor para o Cirque Du Soleil.

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