Há uma longa discussão no mundo do Rock desde que Elvis surgiu: a imagem é mais importante que a música? Se Bill Haley não estivesse acima do peso e com 30 anos, seria ele, então, o Rei do Rock? Ainda na era pré-MTV, onde eram raras as vezes que você podia ver a banda ao vivo, o Led Zeppelin, em certo ponto da carreira, lançou discos sem fotos do grupo, fazendo com que os fãs tivessem apenas que imaginar os seus integrantes. São dois exemplos distintos do uso da imagem, mas de um artista e um grupo que foram os maiores no seu tempo.

E imagem é algo que podemos trabalhar. Elvis, lá atrás, na era pré-marketing, tinha um gênio na divulgação em seu empresário. Talvez, sem Tom Parker, o Rock tivesse encontrado outro rosto para ser sua cara nos anos 50, mas será que o mundo amaria Elvis do mesmo jeito que hoje?

A resposta nem precisa de vento para chegar. Ela é não.


A banda La Bela te faz um convite no clipe "Pecado"

E a imagem também passa por escolher o que falar nas letras. Voltemos à Inglaterra com o Kinks e o Sex Pistols. Inegavelmente, tratam-se de duas grandes bandas do Rock. O Sex Pistols, tratando de temas da Inglaterra, falou para o mundo, canalizando sentimentos que estavam adormecidos entre os jovens de todos os continentes. Já o Kinks, mesmo com músicas belíssimas, ficou conhecido como uma banda "muita inglesa" e o seu sucesso ficou restringindo à Terra da Rainha. Pena.

No passado não havia fórmulas, os tempos e necessidades mudavam de acordo com a economia e a política que, claro, afetam profundamente o consumo e, necessariamente, o comportamento dos jovens. E embora a MTV tenha facilitado a difundir a imagem das bandas, foi o Youtube que realmente "matou" o imaginário em relação aos grupos. Você tem tudo o que quiser da banda, em qualquer formato, em qualquer versão. Você pode escolher se ainda quer o Green Day colorido, alegre e adolescente ou o sério e político do final do século XX. O meu é o do "Kerplunk!", por favor.

Assim, nessa vastidão de bandas e de facilidades para gravar, onde todos com um celular são um diretor em potencial, como se distinguir da multidão e reivindicar os 15 minutos que temos "direito"? Se desde o início do Rock (e da música pop) já ficou provado que grandes canções sozinhas não funcionam, qual é o caminho, na era pós-moderna, para brilhar ao sol?

A resposta não mudou desde que Chuck Berry falou de brincar com o seu "instrumento": é mexer com o imaginário das pessoas.

Com isso, enfim, parto para a banda carioca La Bela que acabou de lançar o seu segundo single acompanhada de um clipe: "Pecado".

O teórico da comunicação Theodor Adorno dizia que o amor é o único tema universal, rebaixando as músicas com essa temática. Mas ele falava mal de Jazz também (embora, convenhamos, fãs de Jazz sejam chatos como os enófilos), então, podemos dizer que a sua teoria está um pouco ultrapassada. O que une o mundo no novo século é o sexo. O que fazemos por ele, contra ele e na falta dele.

Pecado é um termo cristão, e cristão também é o início do clipe com uma citação bíblica. Longe dos clichês roqueiros que, no passado, flertavam com o mal; trata-se, então, dos sete pecados, como se o mal fosse resistir aos próprios pecados. Com isso, a fraca iluminação com flashes vermelhos, o close quase constante na vocalista e nas mulheres da plateia, seguidas pela cenas do tão combatido cigarro e das bebidas, com as guitarras zunindo no seu ouvindo, fazem a pergunta oculta: "por que resistir?". No caso, a você mesmo.

Talvez, enquanto a vocalista Renata Caballero pergunta qual será a sua escolha entre os sete pecados (capitais), você ainda possa ter alguma dúvida sobre a pergunta do clipe. E as chances são grandes de que ela não resista à cena loira/ruiva ao final do vídeo.

Porém, diante disso tudo, qual seria, então, a imagem que o La Bela quer passar? Ora, desde o início o Rock foi sobre individualidade. O primeiro som exclusivo para jovens, quando estes se tornaram um público consumidor exclusivo. E a individualidade, no caso do La Bela, vem na forma de desejo. Ou melhor, na sua expressão e na maneira pela qual você lida com ele.

Afinal, podemos fugir de tudo, menos de nós mesmos.

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