17 de março de 2012

Nunca houve um homem como Heleno, nunca haverá um clube como o Botafogo

Convite para o filme "Heleno" com Rodrigo Santoro

O filme do Heleno de Freitas ("Heleno") é um chamado desesperado para cada botafoguense. Mais do que a versão cinematográfica do livro de Marcos Eduardo Neves ("Nunca houve um homem como Heleno"), o filme é um choque de realidade naqueles que compartilham o amor com o craque da década de 40 pelo Botafogo.

"Heleno" é bom, embora tenha alguns problemas no meio que façam algumas partes parecerem chatas. OK, sou extremamente suspeito para falar; mas, segundo opiniões de pessoas que estiveram comigo na segunda-feira, dia 12, na pré-estreia, eu não estou sozinho nessa.

Porém, o que importa é a mensagem. Há muitas cenas e frases significativas no filme, daquelas que você têm vontade de compilá-las e fazer um vídeo no youtube. Ou melhor ainda: gritar no ouvido de cada jogador atual enquanto eles perdem oito partidas das dez finais de um campeonato.

No filme, conforme o tempo ia passando, Heleno ia ficando mais louco. A sua doença (sífilis) o consumia, enquanto os cada vez mais escassos momentos de glória o distanciavam ainda mais da razão. E é difícil saber o que era pior para ele: a fama ou a ausência dela.

Em cada revolta no vestiário, em cada frase de amor ao clube, Heleno de Freitas se revelava o Botafogo. Com os recortes de jornal na parede do sanatório, formava-se a imagem de um passado cada vez mais distante. Assim, ao comê-los, Heleno se recusava a aceitar um presente que não o incluía. Na sua cabeça, ele precisava voltar e ajudar o Botafogo.


Botafogo Campeão Carioca de 1948. 
Heleno não estava lá. Mas ele continuou.

Hoje, os jornais continuam nas paredes - nas nossas paredes. Eles ostentam um passado onde o Botafogo era o Botafogo que nos levou a torcer pelo...Botafogo. 

Cada grito, cada soco na parede, cada lamento, é um pedaço de jornal que engolimos. É a recusa diante do caminho que o Botafogo segue. Porém, Heleno se foi e deixou Nilton Santos. Logo após, veio o maior de todos os tempos: Garrincha. E agora, vamos continuar sonhando com um salvador? É tão ilusão quanto achar que poderia cobrar aquele pênalti perdido novamente. 

Não há como, o passado não volta. Nunca teremos ninguém como eles. Nunca. Assim como nunca houve um homem como Heleno, nunca haverá um clube como o Botafogo. Nem mesmo o próprio Botafogo.
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2 de março de 2012

Parabéns ao Rio de Janeiro


Eu gosto do Rio de Janeiro, gosto das pessoas que aqui estão, do meu Botafogo que resiste lá do outro lado do túnel.

Detesto bairrismo, sou contra qualquer espécie de fronteira, não acredito em bandeiras. Assim, parabenizo as pessoas que aqui estão, aqueles que conseguem tornar uma fila um episódio agradável com uma conversa profunda sobre todos os problemas do mundo e sumir para todo o sempre. 

E Se as pessoas são espontâneas assim aqui - e eu não conheci outro lugar igual - certamente há alguma relação com a cidade. E se o meio ajuda a moldar o homem, feliz é aquele que aqui vive.

Então, parabéns ao Rio de Janeiro.
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