"Espelho, espelho, meu..."

Todos nós podemos brincar e falar para Garrincha olhar por nós. Mas vamos combinar, isso é besteira. A única coisa certa é que os nossos laterais sempre serão medíocres, o que me faz ter saudades do Wilson Goiano. E todos os outros jogadores serão apagados nos momentos decisivos.

Contudo, podemos esquecer tudo isso. Largar as crendices, apagar as velhas manias e tentar entender a mediocridade. Ela não é uma questão metafísica. Não há nada extraordinário, que um pouquinho de observação não permita entender que o problema não começou ontem.

Somos, enquanto time, medíocres - e essa é uma informação que temos que ter sempre em mente. A diretoria, responsável única por esse amontoado de jogadores, também sabe disso. Embora divirjamos nesse sentido. A mediocridade é dada na certeza de que não iremos ter êxito em nada, e não é o meu pensamento negativo que irá fazer um jogador fraco transformar-se em alguém em condições de ser titular de um time de primeira divisão. Portanto, eu constato que o Botafogo, enquanto time de futebol, não enquanto clube, é medíocre dada as ações de seus dirigentes e não há nenhuma perspectiva de melhora nesse sentido.

Antes de prosseguir, um dado histórico que não pode ser esquecido: Maurício Assumpção e sua turma só chegaram ao poder em um golpe eleitoral. Esse foi um indicativo importante do que viria, e eu cansei de repeti-lo. Isso é método, é indicador de pensamento, de caráter. Não há respeito ao adversário. Fora, claro, a mentira para a torcida sobre o tal fundo milionário de investimento. Lembram? É, eu lembro.

Assim, passo à visão da diretoria. Mas cabe uma pergunta antes. Quantos jogadores e técnicos por aqui passaram e criticaram a torcida? Caio, Túlio Souza, Elkeson, Joel Santana e Caio Jr, entre outros. Além disso, o ex-vice-geral, xingou torcedores que protestavam após fugirmos do rebaixamento em 2009.

Pergunto: isso é comum em um time de futebol?

"Eu sou foda, porra!"
Elkeson, através de gestos, indica que a torcida 
está maluca e que ela não tem que reclamar

Não, não é. Será, então, que não há uma cultura instalada em General Severiano? Também em dezembro de 2009, um membro da diretoria, em um discurso na tribuna do Conselho Deliberativo, acusou membros da oposição (eu incluído) de não estarem felizes pelo fato de o Botafogo ter escapado do rebaixamento.

Há mais exemplos, e não os listo pois, se o faço, a identificação dos autores ficaria fácil e eu não tenho como prová-las, portanto, paro por aqui e prossigo.

Será, então, que os culpados são apenas os jogadores? Ora, se existe algo que corrobora e estimula a ação de desrespeito em relação à torcida, como jogar apenas nas costas deles? Peguemos o Caio Jr. Por diversas vezes, em 2011, ele declarou quem era "botafoguense" de verdade e humilhava a torcida com declarações sobre a falta de títulos. Se não foram todos que se revoltaram, posso considerar a maioria. E mesmo com a grande polêmica, ele parou? Não, pelo contrário, continuou em frente.

Enfim, não sou leviano de dizer que tal pensamento é estimulado, porém, não podemos dizer, então, que é, pelo menos, tolerado?

Em um fórum de torcedores, um conselheiro entusiasta da diretoria, sugeriu ao comando do futebol que contratasse uma bandinha para calar o pessoal da Oeste Inferior que só reclama. E, pelo texto dele, ficou claro que o problema era realmente discutido entre os atuais mandatários.

Assim, as constantes reclamações de técnicos e jogadores sobre a torcida, praticamente jogando a culpa dos infortúnios nos torcedores, não é uma mera reprodução do pensamento dos dirigentes?

Ora, e se eu estiver errado a respeito da reprodução, posso afirmar, novamente, que tal pensamento é, ao menos, tolerado?

Com isso, chego à derradeira pergunta: em um ambiente como este, há como existir uma equipe vencedora? 

Não, não há. E a campanha vexatória no Campeonato Brasileiro de 2011, que nada mais é que a repetição do que aconteceu em 2010, 2008 e, em parte, 2007, é a prova inconteste disso.

Porém, infelizmente, boa parte da torcida comprou esse discurso. Embora sem entender o processo pelo qual passamos. Com a certeza de estarem fazendo o bem, intimidam quem vaia e os consideram como não-botafoguenses. Os mandatários do Botafogo agradecem.

No final, como sempre, perde o Botafogo. E eu não estou falando de um jogo.