Convite para o filme "Heleno" com Rodrigo Santoro

O filme do Heleno de Freitas ("Heleno") é um chamado desesperado para cada botafoguense. Mais do que a versão cinematográfica do livro de Marcos Eduardo Neves ("Nunca houve um homem como Heleno"), o filme é um choque de realidade naqueles que compartilham o amor com o craque da década de 40 pelo Botafogo.

"Heleno" é bom, embora tenha alguns problemas no meio que façam algumas partes parecerem chatas. OK, sou extremamente suspeito para falar; mas, segundo opiniões de pessoas que estiveram comigo na segunda-feira, dia 12, na pré-estreia, eu não estou sozinho nessa.

Porém, o que importa é a mensagem. Há muitas cenas e frases significativas no filme, daquelas que você têm vontade de compilá-las e fazer um vídeo no youtube. Ou melhor ainda: gritar no ouvido de cada jogador atual enquanto eles perdem oito partidas das dez finais de um campeonato.

No filme, conforme o tempo ia passando, Heleno ia ficando mais louco. A sua doença (sífilis) o consumia, enquanto os cada vez mais escassos momentos de glória o distanciavam ainda mais da razão. E é difícil saber o que era pior para ele: a fama ou a ausência dela.

Em cada revolta no vestiário, em cada frase de amor ao clube, Heleno de Freitas se revelava o Botafogo. Com os recortes de jornal na parede do sanatório, formava-se a imagem de um passado cada vez mais distante. Assim, ao comê-los, Heleno se recusava a aceitar um presente que não o incluía. Na sua cabeça, ele precisava voltar e ajudar o Botafogo.


Botafogo Campeão Carioca de 1948. 
Heleno não estava lá. Mas ele continuou.

Hoje, os jornais continuam nas paredes - nas nossas paredes. Eles ostentam um passado onde o Botafogo era o Botafogo que nos levou a torcer pelo...Botafogo. 

Cada grito, cada soco na parede, cada lamento, é um pedaço de jornal que engolimos. É a recusa diante do caminho que o Botafogo segue. Porém, Heleno se foi e deixou Nilton Santos. Logo após, veio o maior de todos os tempos: Garrincha. E agora, vamos continuar sonhando com um salvador? É tão ilusão quanto achar que poderia cobrar aquele pênalti perdido novamente. 

Não há como, o passado não volta. Nunca teremos ninguém como eles. Nunca. Assim como nunca houve um homem como Heleno, nunca haverá um clube como o Botafogo. Nem mesmo o próprio Botafogo.