O que pensar?


Saí do trabalho e fui ao Shopping Tijuca lanchar. Chegando lá, parei na praça de alimentação e comecei a olhar em volta: várias camisas do fluminense. Pessoas animadas conversando com os amigos, certamente ansiosas pela estreia do seu time na mais importante competição do continente.

Eu me volto para o meu celular e a Comfogo está aberta. Era impossível não lembrar aquela sequência vergonhosa de derrotas que, mais uma vez, adiou o nosso sonho.

Sim, o nosso sonho não é ser campeão, é jogar a Libertadores.

Talvez, seja por isso a raiva incontida desses jogadores. Por mais que a diretoria seja culpada por não cobrar (ou não saber como fazê-lo), é inegável que os jogadores não tiveram o menor respeito por aqueles que são responsáveis pelos seus altos salários. São esses mesmos jogadores que também fracassaram em 2010. E eles continuam a querer o nosso apoio em 2012, mesmo conseguindo uma mísera vitória em quatro jogos em um campeonato carioca.

É uma falta de respeito alguém pedir algo da torcida. E são totalmente insensíveis aqueles torcedores que continuam a achar qualquer coisa diferente de apoio agora é torcer contra. Ninguém nasce com raiva, e ela também não surge no meio de uma manhã tranquila em Fernando de Noronha. A raiva é, antes de tudo, uma reação a tudo o que aconteceu, é um sinal de que ainda há gente que se importa.

Só pode ser cobrado quem está em débito. E nesse momento, quem está devendo são os jogadores. Enquanto todos pensam em times argentinos e uruguaios, o botafoguense vai pegar um trem calorento e cheio para ver um jogo decisivo contra o Olaria.

A resposta só pode vir das quatro linhas, não das arquibancadas. É obrigação dos jogadores conquistarem um título e trazer o sorriso de volta aos torcedores. E é obrigação da diretoria conscientizá-los disso.

Enquanto isso não acontece, nós iremos acumulando noites, semanas, meses e anos tristes.

OBS: Foto de Pavel Krukov, "No Inspiration"