Eu não vou entrar aqui nos méritos da gestão Maurício Assumpção. O meu foco é o respeito ao cargo e ao processo democrático.

A eleição no Botafogo começou com acusações por parte de ambas as chapas. Em geral, as denúncias giravam em torno de assinaturas falsas, bem como a inclusão de pessoas que não poderiam se candidatar ao Conselho Deliberativo, já que, para tanto, elas deveriam ser sócias-proprietárias há três anos, no mínimo.

O problema começou quando o atual presidente, Maurício Assumpção, assumiu a ofensiva por parte da situação em relação às denúncias. Não que seja algo ilegal, mas macula a imagem de presidente. Deveria ele saber que, quando fala, carrega toda a imagem de mandatário do Botafogo. Com isso, não deveria misturar as coisas e deixar que o coordenador de campanha ou o candidato a vice-presidente fosse o responsável.

O problema continua agora com o lançamento dos vídeos para a campanha que vocês podem ver abaixo. A produção é precária e mostra um longo texto onde fica claro a dificuldade do Maurício Assumpção em decorá-lo. As pausas são frequentes, como se ele estivesse buscando as palavras na memória. Com isso, soa artificial.



Porém, o meu questionamento é outro. Os vídeos foram gravados no campo do Engenhão, no "Camarote 100" (que deveria ser um restaurante panorâmico) e na sala de imprensa. Com isso, fica a pergunta: poderá a oposição fazer uso dos mesmos locais para os seus vídeos?

Àqueles que acham que o meu questionamento é injusto, lembrem-se que, na figura de Maurício Assumpção, por mais que ele carregue a Presidência, há, também, a figura do candidato. E este tem a obrigação, por respeito ao adversário e ao clube, competir em igualdade de condições.

A comparação é a mesma com os casos de reeleição para presidente do Brasil. A Lei 9.504/97, no seu artigo 73, traz as seguintes restrições:

Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais:
        I - ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, ressalvada a realização de convenção partidária;

Sendo assim, pelo que os juristas chamam de "pars conditio" (igualdade de condições), deveria a atual administração, que é a de todos os botafoguenses, franquear as instalações para a chapa de oposição permitindo, assim, uma eleição justa e que possibilite aos alvinegros escolherem o melhor candidato no dia 25 de novembro.