Há exatos oito anos, eu estava em alguma aula chata da qual não me recordo mais. Em algum momento, desci para o laboratório de informática para checar os e-mails e me deparei com a seguinte notícia: "morre nos EUA o ícone americano do rock e do country, Johnny Cash".

Foi um choque. Eu não era fã de Cash há muito tempo. A minha raiva adolescente não me permitia gostar de nada que levasse apenas violões, mas já havia alguns anos que eu tinha virado fã do homem de preto. Cada vez que eu lia mais sobre a sua vida, mais envolvido eu ficava com a sua música. O que me atraía era a sinceridade das letras, as forças das palavras. Johnny Cash para mim era real.

No filme "Johnny & June", a cena de Cash e a sua banda chegando na audição com Sam Phillips é falsa. Na verdade, não houve aquele drama que teve como clímax o "cante uma canção que mostrasse o que você é, que simbolizasse a sua vida". Mas poderia ter acontecido, pois era assim que Johnny parecia compor.

Cash tinha problemas, não era uma pessoa fácil. O trauma da morte do irmão que nunca o abandonou, as drogas que quase o derrubaram. Porém, cada um desses incidentes o vez voltar melhor do que era. A tragédia do irmão o fez ganhar forças para a carreira de músico. As drogas o levaram aos clássicos discos nas prisões (Folson e San Quentin). O ostracismo nos anos 80 o levou (OK, junto com Ricky Rubin) à maravilhosa série "American".

O exemplo de Johnny Cash é persistir. É quebrar barreiras. É buscar o seu próprio caminho. É acreditar que, apesar de tudo, os homens ainda têm uma alma que pode ser salva - e aí independe do credo, pois alma tem o sentido de consciência.

Johnny Cash era uma pessoa frágil, mas real. E foi a sua música que o tornou forte e eterno.

Obrigado, Johnny. E descanse em paz.