A percepção do passar das horas depende diretamente da importância que conferimos ao acontecimento que motiva a nossa espera. Com isso, nesse momento, afirmo: o tempo não passa.

Em um cálculo rápido, é fácil dizer: faltam 15 horas e meia. Porém, números são relativos e, assim, poder-se-ia argumentar que boa parte desse tempo será preenchido com o sono. Reparem na escolha das palavras: "faltam" (no sentido de restar tempo) e "preenchido", como se tudo o que viesse antes do evento fosse inútil. Está claro que a jornada será longa.

Mas o sonho é real. Está longe de ser aquele delírio adolescente de sair com a garota mais legal do colégio. Dessa vez, você fez a sua parte e ela sorriu. Ou seja, tudo depende de você.

Amanhã não será a festa de fim de ano, onde todos estarão com os olhos voltados para a pista principal. Será - e não posso usar "apenas" - um acontecimento superimportante para as nossas pretensões. Não se pode fazer nada de errado, um passo em falso nesse momento seria o fim – por mais que ainda tenhamos capacidade de recuperação. Entretanto, é nessas horas que se mostra quem somos e o que queremos.

E se os minutos teimam em não mudar no relógio, eles tornam-se indicadores da nossa ansiedade. E, consequentemente, da importância do dia de amanhã. Assim, não há como escapar: cada minuto desistirá de ceder a sua vez ao seu sucessor, ao passo que as horas estarão em estado de greve.

Porém, o alívio é saber que o futebol é composto por compensações. A tranquilidade é um péssimo sinal de que não há mudanças. Já a ansiedade, na maior parte das vezes, indica que ela será substituída por alegria. Essa é recompensa.

Sendo assim, aproveite a espera. Saboreie o momento. Ele não é apenas especial. Ele antecede momentos ainda melhores.

Fogo!

Foto: Getty Images ("RunPhoto")