Ninguém chega no dia 30 de junho e diz: "é hora de mudar. Estamos na metade do ano, portanto, agora vai!". Não é assim que funciona. São algumas metades que servem para reflexão, para tomarmos consciência do que somos e do que queremos.

O Botafogo do primeiro tempo da partida contra o Fluminense era um time que não merecia nada senão o fracasso. É razoável que times que criem oportunidades saiam com o empate, mas os deuses do futebol nunca perdoam tantos gols perdidos. E como os alvinegros jogaram pela linha de fundo as chances de vitória...

Assim, quando o juiz tirou o apito da boca ao fim da primeira metade do jogo, um filme antigo passou pela mente de diversos botafoguenses. Por muitas vezes, tivemos perto da vitória quando era a hora de embalar, mas, inexplicavelmente, parávamos no meio do caminho.

E o gol do Fluminense, logo aos dez minutos da metade final, parecia trazer para a realidade o thriller botafoguense.

Porém, um gol sofrido é uma volta ao meio do campo. Uma chance de começar de novo. E foi Elkeson, uma espécie de Jobson 2.0 (a primeira versão, parece, saiu da fábrica muito cedo), quem nos devolveu a chance com o seu belo gol, sem dar tempo ao adversário de sentir o gosto da vitória parcial.

Contudo, a reação ainda estava pela metade. Do meio-campo, após um escanteio adversário, Loco Abreu, o centroavante grandalhão lento e desengonçado como adoram repetir, trocou a camisa 13 por uma 10 e partiu em velocidade na direção do gol tricolor. Sem titubear, esperou o exato momento e rolou para Lucas, o nosso lateral completo. Era o gol da vitória.

O herói uruguaio correu em direção ao banco de reservas e, olhando para a torcida, esticou os braços para cima, em sinal de triunfo. Nas arquibancadas, abraços, pulos e gritos. E, na cabeça de cada alvinegro, uma certeza: se o título parecia tão distante, metade do caminho já foi.

E nós estamos chegando...