Nós somos alvinegros

Desde pequenos, os botafoguenses aprendem a amar duas cores: o preto e o branco. Apaixonamo-nos pela estrela e pela elegância daquele conjunto de listras verticais. Assim, o branco, que é junção de todas as cores, e o preto, que é a ausência de luz, compõe a nossa indumentária.

Decerto, as cores significam muito mais. Por serem, digamos, opostas, representam muito bem as nossas características, de torcedores extremamente apaixonados e críticos. 8 ou 80. O céu ou inferno.

Talvez tenhamos herdado tais características de nossos fundadores - aquelas crianças que, através de um simples bilhete, transformaram para sempre a vida de milhões de pessoas. E nós, como crianças apaixonadas, somos honestos e intransigentes na defesa do que, para nós, é correto.

Com isso, pergunto: qual é o botafoguense que, em uma loja de roupas, não olha com mais atenção para uma camisa alvinegra - mesmo sendo social - do que para as demais? É normal. Estas cores fazem parte de nossas vidas.

Porém, seja lá qual for a origem, é a sobriedade, a elegância e o contraste maravilhoso entre o preto e o branco que ajudam a definir o nosso uniforme. Nisso, aqui no Rio de Janeiro, somos únicos.

E é por esta razão que, quase por unanimidade, os botafoguenses rejeitaram as cadeiras vermelhas na nossa casa, o Engenhão. Por todos os lados, surgiram reações de tristeza, revolta, raiva e indignação frente ao vermelho. É a ausência desta cor que nos distingue dos adversários.

Além disso, é de conhecimento de todos o desejo da torcida por um Engenhão cada vez mais identificado com o Botafogo. Sentimos falta dos nossos símbolos por todo o estádio. Lá é nossa casa e, como tal, queremos que ela reflita quem somos, exatamente como fazemos nos nossos apartamentos e casas.

E se a reação foi grande, é sinal do quanto os botafoguenses se importam com o seu lar, com as suas cores. Elas compõem a nossa identidade. E um clube sem personalidade, não importa a quantidade de títulos, não conseguirá, jamais, ter uma torcida apaixonada. Não como a nossa.

Assim, por todas essas razões, apelo à diretoria do Botafogo que, entendendo a gravidade da situação, interceda junto à patrocinadora e substitua as cadeiras vermelhas. Elas são um atentado contra a nossa identidade e, principalmente, a nossa história.

#CadeirasVermelhasNão

Saudações alvinegras,

Thiago Pinheiro