"Until a weather change condemns belief"

É difícil olhar para a tabela sendo um alvinegro. O regime forçado daquele espaço destinado às vagas para a Libertadores nos encheu de raiva e desilusão. A sequência absurdas de empates nos levou a acreditar que o purgatório do meio da classificação é o nosso destino final.

Vejam, todos os sinais indicam que Garrincha foi amordaçado em alguma sala lá no céu e, assim, o caminho está livre para que tudo possa desabar sobre as nossas cabeças. Eu, que costumo creditar responsabilidade aos homens ao invés de buscar alguma explicação metafísica, sinto-me tentado a concordar com os amigos que acreditam que, na condenação de Jesus, alguém com a camisa alvinegra gritou "Barrabás".

Já falei e repito: é muito para tão pouco. Por mais que os homens sejam auxiliares constantes do destino cruel que recaia sobre nós, o momento é de suspirar e de dar aquela olhada para cima com apenas um pensamento: "já chega, né?"

Porém, inacreditavelmente, estamos no 6º lugar. Talvez, se a sorte tivesse abandonado qualquer outro time da mesma maneira,  o resultado não seria o mesmo. Uma vitória domingo e o recurso na Conmebol devolvendo a quarta vaga ao Brasil e todos nós podemos começar a fazer contas (e inventar desculpas) para visitar o Equador, o Chile e a bela Argentina no ano que vem.

Por mais que até o Loco Abreu, nosso salvador, tenha decepcionado e que algumas falhas costumem se repetir deixando-nos fulos de raiva e empates no bolso, a hora de ser racional já passou. Se a razão nos levou a planejar um futuro na Copa do Brasil, ela mesma há de nos conceder a, doce ironia!, razão quando pensamos: "ei, não está tão ruim assim".

E não está. Faltam 9 jogos. Em Las Vegas, pessoas normais, analisariam a mesa e, com um sorriso no rosto, anunciariam ao crupiê a sua jogada em qualquer outro time, exceto o nosso.

Mas, se acreditamos que não há normalidade nos últimos acontecimentos, o que nos leva a acreditar que, daqui para frente, será normal?

É tudo uma questão de ponto de vista. Ou de fé.