Sempre fui crítico dessa história de dividir a renda e o público do Engenhão com os demais times do Rio de Janeiro. O estádio é nossa casa e temos que ter vantagem sempre, entretanto, a diretoria está empenhada em transformar o Engenhão em casa de todos os times e realiza acordos em que somos mais um na nossa casa.

Não sou contra o aluguel, mas acho um absurdo a postura defendida pelo presidente. Ele se coloca em uma posição constrangedora, como se os demais times fizessem um favor ao Botafogo jogando lá; quando, na verdade, detemos o melhor produto e é de todo o interesse da dupla Fla-Flu jogar no Engenhão.

Vejam, por exemplo, o blog do jornalista do Globo.com e assumidamente flamenguista, José Ilan. Ao listar os jogos do Flamengo, o confronto com o Botafogo não recebe um FORA ou CASA, mas, sim, o indicativo que é no Engenhão.


Veja a “Prova dos Sete” rubro-negra:

28/9 – Goiás (FORA)
2/10 – Botafogo (Engenhão)
7/10 – Atlético-GO (CASA)
10/10 – Avaí (FORA)
16/10 – Internacional (CASA)
24/10 – Vasco (Engenhão)
27/10 – Corinthians (CASA)

Agora, fica realmente difícil mudar a postura. Se o Botafogo estivesse acostumado a utilizar a valer o seu direito de mandante, cedendo apenas 20% do estádio para os visitantes, hoje estaria em uma posição muito melhor, inclusive para negociar. Além de, claro, tal ato melhoraria e muito a relação e a identificação dos botafoguenses com o estádio.

É necessário entender que nem tudo se faz pensando no curto prazo. Flamengo e Fluminense são rivais. Este último, então, disputa o mesmo mercado que nós. Dois anos deslocados da cidade do Rio de Janeiro seriam péssimos para o time das Laranjeiras, já que se encontraria privado da sua torcida, com todos os prejuízos econômicos que viriam em seguida. O Flamengo consegue levar torcida em qualquer buraco do Brasil, então, não teria tantos problemas.

Sendo assim, eu vejo com muita preocupação essa relação com os rivais. Se vocês repararam, a propaganda da Ale por todo o Engenhão contém uma frase similar a essa: "o estádio de todas as torcidas" (ou o combustível). De qualquer maneira, você não vê isso no Morumbi, por exemplo.

A diretoria precisa entender a carência da torcida. Ela não é apenas de ídolos e títulos. Entendendo-a, será muito mais fácil contar com ela para ajudar o Botafogo a voltar às conquistas, não um pires na mão em direção aos rivais.