Eu estou bem longe, sentado em um hotel imundo em Porto Alegre. Já o Botafogo, passou um bom tempo em 3º lugar, classificado para a Libertadores. E nós fomos alimentando um sonho de um futuro melhor. Talvez, nós tenhamos esquecido de ir construindo um presente que tornasse isso possível.

Falta, claro, algo. Ou melhor, mais que isso. Está bem nítido que não existe homogeneidade no grupo. Investiu-se demais em alguns setores e esqueceu-se de outros. Não é possível que tenhamos aspirações maiores sem sequer um lateral no elenco. Isso é inédito.

Sofremos, também, com aparições estranhas. Jogadores que desapareceram, retornam, então, com uma frequência de corar de raiva aqueles que estão há mais tempo merecendo uma chance melhor. Há uma pressão, seja lá de quem, que torna inviável a normalidade da situação. Não é à toa que ontem alguém saiu mais cedo.

Já outros continuam a enganar-nos. Sua mediocridade foi provada com as mudanças, mas ele está lá, imóvel e inútil. E sobre ele há aplausos e elogios efusivos.

Há muita coisa errada, embora possamos achar que uma parte do todo conseguirá sobressair e ocultar a deficiência dos demais. Não vai. Com isso, fórmulas acreditadas como mágicas se repetem escondidas sob piadas de alguém que se acha um bufão, mas que, na verdade, usa a fama para esconder a sua incompetência.

E é isso que seremos até o final. Resta saber o que faremos até o dia 5 de dezembro. Lá saberemos se eu estarei em um hotel confortável na bela Porto Alegre ou apenas lembrando com saudades daqueles bons dias de agosto.