O público da vitória contra o Avaí no Engenhão no último sábado foi o maior do Botafogo neste Campeonato Brasileiro. Porém, mais do que uma renda de mais de 800 mil reais e três pontos na tabela, a partida mostrou que há espaço para diferenciação de preços, como deixam claro os bons números em todos os setores. Contudo, temos que discutir um outro problema ainda mais grave.

Mas, primeiro, vamo aos números por setores:
setor - público total (1/2 entradas) (taxa de ocupação do setor)

Norte - 3891 (1487) (86%)
Oeste Superior - 9220 (4754) (1400 ST) (85%)
Oeste Inferior - 2122 (994) (425 ST) (28%)
Sul - 2860 (1082) (63%)
Leste Superior - 9062 (6194) (84%)
Leste Inferior - 3509 (2237) (47%)

Novamente, vemos a proporção de 1/2 entradas subirem. Se contra o Atlético/MG, no dia 07/08, os ingressos para estudantes foram pouco mais de 51% do total, dessa vez chegaram a 58%.

Além disso, outro número chamou a atenção no borderô: o número de ingressos postos à venda. Para o setor Oeste Inferior, foram 10450 entradas disponibilizadas, sendo vendidas 7820. Se você somar com os 1400 sócio-torcedores que passaram pela roleta, temos as 9220 pessoas no setor.

A pergunta, então, é: onde ficariam os sócio-torcedores se todos os ingressos tivessem sido vendidos? Mesmo com 85% do setor ocupado, a Oeste Superior estava abarrotada, com todas as escadas completamente lotadas de gente em pé, o que é um convite para uma tragédia.

Uma das causas desse problema são as gratuidades, que certamente ajudaram a contribuir para a lotação do setor. Sei que houve uma preocupação da diretoria com essa questão, pois eu mesmo os ajudei nesse quesito. As leis sobressaem-se umas às outras e não há como fazer uma reserva antecipada. Se um dia aparecerem 45 mil idosos no Engenhão no horário de abertura dos portões, teremos que ficar na rua.

Portanto, é necessário se preocupar e fazer a reserva de 10% por setor, não pelo público total. Nove mil pagantes (incluindo sócio-torcedores) é um número perigoso. A média de sócio-torcedores é de 4,1% do público total para a Oeste Superior e 1,14% para a Oeste Inferior. Então, pode-se partir desses números e retirá-los da venda total nos respectivos setores.

A título de curiosidade, a venda do Botafogo é do tipo online, o que significa que os ingressos são impressos apenas na hora da compra. Entretanto, é sempre informado nos borderôs que um número "x" de ingressos foram devolvidos. Mas não acredito que isso seja um problema, pois, segundo informou a diretoria, foram postos à venda 36 mil ingressos e o borderô acusava que foram 49 mil, até mais do que a capacidade do estádio. O que é mais uma informação para dificultar a nossa compreensão.

Digo isso sempre tentando nos precaver de uma possível tragédia. Uma briga nas arquibancadas pode causar uma correria que, com o setor lotado, pode ter consequências graves. Um simples braço quebrado pode levar ao afastamento de muitas pessoas do estádio por muito tempo. Imagine, então (toc, toc, toc), uma morte? Fora a campanha que fariam contra o já "querido" estádio.

Ainda considero que o Botafogo está aprendendo a cuidar do Engenhão. É natural, mas, no caso de vidas, temos que estar sempre um passo à frente dos problemas. Nós não podemos falhar.

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