Sempre tem alguma coisa errada no Botafogo

"One pill makes you larger,
And one pill makes you small,
And the ones that mother gives you,
Don’t do anything at all"
("White Rabbit - Jefferson Airplane)


O Botafogo é um clube repetitivo. Não há novidades. Você sempre sabe o que esperar. No jogo dessa quarta contra o Flamengo, por exemplo. Por mais que muitos acreditassem em uma goleada, o normal seria a derrota. Esse é o padrão do Botafogo: quando tudo está favorável, nós quebramos a harmonia.

Mas a repetição está longe de parar por aí. Uma equipe forte, tem, entre outras coisas, uma boa base. É assim que acontece em todos os esportes, vão criando uma espinha dorsal e trocando uma peça aqui e outra ali, sempre melhorando o time.

No Botafogo não é assim que funciona. Existe o núcleo, só que ele é formado por outros critérios, sendo que o principal não é o técnico. Lúcio Flávio, Leandro Guerreiro e Alessandro são os queridinhos da Diretoria há muito tempo. É notório que são jogadores de caráter em um meio sujo onde todos tentam apunhalar os outros a todo tempo.


Mas, aí, entra a comparação com os demais clubes: nós somos a exceção? Ou será que é o Botafogo que precisa ter jogadores "de caráter" para criar um grupo de proteção? O problema, claro, não vem de agora, mas a motivação certamente é relacionada com aquele lamentável episódio do jogo contra o Flamengo em Volta Redonda pelo Brasileirão de 2005, onde sofremos uma virada suspeitíssima e o Montenegro apareceu para dar declarações fortes onde, para variar, não cumpriu o que havia prometido - esse é mais um padrão no clube. Caio e Alex Alves chegaram a ameaçar uma greve e marcaram uma coletiva para falar do assunto, mas ela foi desmarcada.

Por mais que tenhamos hoje uma nova Diretoria, o atual vice de futebol, André Silva, já se relacionava com os jogadores desde então, chegando a frequentar vestiários e chefiar delegações, criando um vínculo com os jogadores, em especial o Lúcio Flávio e o Leandro Guerreiro.

E é nessa encruzilhada que nós nos encontramos hoje. Uma situação que se repete, onde estamos a reclamar dos mesmos jogadores que compõe a nossa espinha dorsal. Será que os dirigentes acreditam que os jogadores não conversam entre si? Será que realmente eles pensam que, após um jogo como o de ontem, os atletas do Flamengo não fazem piada sobre o Lúcio Flávio? Ou que, na concentração, os atletas do São Paulo (ou outro time) não viram o gol sofrido por nós ontem?

A impressão que nós temos é que eles nunca serão substituídos. E é bom lembrar que os jogadores também discutem esses assuntos entre si. Quem seria o meia que gostaria de vir para o Botafogo nessas condições? Além de saber que terão dificuldades em ganhar a posição de um dos intocáveis, ainda há o problema de jogar ao lado deles. Um não corre, o outro falha seguidamente e por aí vai. E tudo isso pesa contra nós na hora de nos reforçarmos.

E estamos nessa há anos. Será que é somente falta de dinheiro e inexperiência de nossos administradores? Quantos jogadores bons nós não perdemos por causa do nosso elenco e não pelo dinheiro? Se você fosse jogador, você gostaria de jogar no Botafogo?

Há também, o conflito de interesses entre o nosso diretor de futebol e o seu vínculo com a MFD, uma empresa que busca o lucro negociando jogadores e tem vários atletas no Botafogo. O que também desencadeia uma série de outros problemas que, infelizmente, eu não posso citar aqui, mas acredito que vocês possam fazer a ligação.

Os problemas são vários e eles sempre se repetem. Mas existe uma coisa que eu não quero que seja igual: o sofrimento do ano passado. Nós não podemos passar por aquilo novamente.

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