Ele é Loco, mas classifica a sua seleção




Um jogo épico, genial, que iremos discutir daqui a 43 anos com os nossos netos. Ganhará um destaque especial no filme da Copa. Hoje, amigos, nós vimos a história sendo escrita. A África do Sul testemunhou mais um daqueles momentos que fazem o futebol ser o esporte mais fantástico que existe.

Quem diria que o Uruguai, um pequeno país de 3,5 milhões de habitantes, pudesse fazer tanto? Desbancar a favorita França, ignorar as chatíssimas vuvuzelas e ganhar de 3 x 0 dos donos da casa?

E quem poderia afirmar que esse mesmo Uruguai pudesse chegar à semifinal após ser o último time a conquistar a vaga para Copa em um jogo disputadíssimo contra a Costa Rica?

Mas, mesmo assim, se algum fanático pudesse rir dos entendidos e acreditasse que a equipe Celeste seria uma das quatro melhores, ele dificilmente poderia prever que, após uma prorrogação onde os uruguaios se arrastaram em campo contra a fisicamente superior Gana, ele estaria comemorando pelas belas e simpáticas ruas de Montevidéu.

Porém, havia mais. Para entrar para a história, um jogo precisa de mais, muito mais. E, aos 15 minutos do segundo tempo da prorrogação, após fantástica defesa e a consequente expulsão de Suárez, certamente o nosso amigo fanático já havia posto a bandeira no ombro e, cabisbaixo, pensava que já havia acabado.


Suárez
 foi herói. Sacrificou-se em nome do seu time. Foi rápido em levantar os braços e salvar, pela segunda vez no mesmo lance, o Uruguai. 
Suárez, 
assim como o nosso amigo com a bandeira, enxugava as lágrimas e dava as costas para o gol, certo de que, apesar de ter feito o seu melhor, não havia sido suficiente.



Ledo engano, amigo mio. Lá havia um travessão. E nele a bola explodiu levantando a cabeça do 

Suárez e a
s mãos para o céu dos camisas azuis. Indo aos pênaltis, o Uruguai já fazia história. Mas a história nunca acaba, ela continua, apenas os capítulos é que são abertos e fechados pelo homem.



E o destino quis que a história se repetisse. Após a sequência de sete pênaltis, restava surgir um novo personagem. Um último, o que daria desfecho a história de um jogo histórico.

Enquanto caminhava para o círculo central, Loco Abreu tinha consciência da importância da sua tarefa. Os passos largos e confiantes contrastavam com o nervosismo do goleiro ganês. E Loco sabia disso, enquanto não tirava os olhos do canto esquerdo do gol.

E, com os olhos fixos, ajeitou cuidadosamente a bola. Nos segundos que passavam, apenas uma certeza na cabeça de todos: “Ele não faria isso em uma Copa do Mundo”, como bem disse Fórlan na entrevista após o jogo.

Fórlan estava certo, não na frase, mas na forma. Temíamos que ele fosse fazer, morríamos de medo de ele tentar e não conseguir, mas, lá no fundo, era o que queríamos. Bola no centro, goleiro no canto e o Loco Abreu com o braço estendido correndo para o banco de reservas comemorando a classificação.

E foi exatamente isso que aconteceu. E deve ter sido isso que passou pela cabeça do Loco Abreu. Ele e Suárez fizeram história. O Uruguai faz história. E nós estamos sendo testemunhas.

Obrigado, Uruguai!