Alguma rua chuvosa de Santos

"Touring, Touring, it's never boring"

Com o tempo, vamos nos cansando um pouco do Botafogo. Não que a paixão diminua, não é assim. Mas acabamos que não aguentamos mais ver os erros repetindo-se infinitamente. Sair de casa e ver a mesma confusão na bilheteria e a total falta de condição de alguns jogadores é algo que nos faz pensar com mais carinho na ideia de aproveitar o PPV que pagamos inutilmente.

Esse é um pensamento recorrente em mim. Não é de agora, ele manifesta-se de tempos em tempos, ainda mais que alguns jogadores insistem em permanecer como titulares do Botafogo. As mesmas imagens, as mesmas desculpas - tudo isso pesa na balança.

Mas há um momento diferente nessa relação: os jogos fora de casa. Não sei quanto a vocês, mas eu cresci no Maracanã e na porcaria do Caio Martins vendo aqueles jogos contra o Grêmio, Bahia e Peñarol tentando entender como alguém podia encarar tanto tempo de estrada para ver o seu time. Em algumas oportunidades, o jogo nem é decisivo, mas sempre havia uns 10 malucos que estavam lá apenas para ver o seu time jogar.

Entender o motivo que leva alguém a acompanhar o seu clube é um tema recorrente nos meus textos. É, também, o meu tema preferido. No meu caso, eu pude entender isso em uma viagem para São Paulo, em 2008, para ver o Botafogo enfrentar a Portuguesa por não sei qual rodada do Brasileiro. O time estava mal, tanto que veio perder de 3 x 1, em um jogo que eu achava que iríamos golear.

Porém, talvez, mais importante que a vitória foi o que vi na torcida. Entender o que significava para a maioria dos paulistanos aquele jogo comum para nós, tão acostumados a ver o Botafogo, valeu a viagem. Mesmo com a internet e todas as informações que temos hoje, vive-se o Botafogo é no Engenhão. O resto não importa. É no estádio onde entendemos o clube, sentimos o que ele realmente pode fazer, não na frieza e na distância de uma transmissão pela TV.

Não sem razão, a maioria da torcida já está sem paciência. No Engenhão, basta um passe errado para explodirmos. Mas, lá fora, a maioria está tão feliz em ver o Botafogo que é diferente. Talvez eu possa estar exagerando, mas, ao viajar, lembro-me demais da minha infância e adolescência, onde ver o Botafogo não era tão comum e cada jogo era especial.

Cada botafoguense pelos estádios do Brasil tem, muitas vezes, naqueles 90 minutos, a sua oportunidade de estar perto do Botafogo. De alguma maneira, eu não viajo apenas para ver o Botafogo, mas, também, para lembrar como é bom ver esse time jogar, apesar de tudo.

Ah, Botafogo...

OBS: Adivinhem quem vai para a Rodoviária amanhã?

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