Assistir a um jogo do seu time em outra cidade é quase como ser morador de uma cidade ocupada após a derrota em uma guerra. Tomamos cuidado com as nossas cores, escondendo a nossa camisa sob um casaco de gola alta ou dentro de um simples saco plástico. A ida ao estádio é cercada de olhares paranóicos para os lados em busca do exército inimigo, ou seja, torcedores adversários que, sob a proteção da maioria, não costumam ter nenhuma piedade.

Mas, no estádio, a história muda. Seremos, claro, minoria, mas estamos junto aos nossos, o que confere força a cada um e motivação dobrada para torcer pelo seu time. As provocações adversárias são mais fortes, o deboche é intenso e a irritação só aumenta à medida que alguns deles parecem estar lá apenas para perturbar a paciência, não pelo seu time.

O infortúnio chega e vem dobrado. As imagens do ônibus, do cansaço e do dinheiro gasto repetem-se incessantemente na mente, enquanto a trilha sonora é composta por xingamentos regidos a dedos médios estendidos em nossa direção. O cimento frio torna-se o nosso divã.

Mas, rapidamente, o vento muda de direção, afasta os maus espíritos e a nossa hora chega, também em dose dupla. Por duas vezes, fomos maiores e mais barulhentos. E, depois disso, a festa foi nossa, embora eles tivessem a chance de escolher uma música ou outra por alguns poucos minutos.

No final, tudo igual, mas o ânimo era outro. E a confiança em dias melhores, também. Não nos iludimos com dias gloriosos, mas, apenas a certeza que, com as escolhas certas, esse ano tem tudo para ser diferente do que passou.

Na saída, os casacos e os sacos plásticos voltaram a ser importantes, mas o sorriso entre aquela imensa mancha esverdeada nos denunciava. Azar o deles.

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