Jello Biafra: dos palcos para as urnas
isso seria possível hoje em dia?


If the music's gotten boring
It's because of the people
Who want everyone to sound the same
("Chickenshit Conformist" - Dead Kennedys")



A crítica mais comum às bandas de hoje em dia é que elas não têm mais discurso, suas letras são vazias e por aí vai. Claro que, há, também (ou principalmente) a falta de qualidade ou originalidade, mas, vamos nos ater, inicialmente, à questão das letras.

Com isso, transfiro, então, a pergunta a todos nós: alguém se importa com mais alguma coisa? Alguém mais liga para política, por exemplo? Basta uma passada rápida em qualquer comunidade do orkut ou uma conversa com alguns garotos de 16 anos para saber que a prioridade da vida dele é arrumar uma garota mais bonita do que a do seu amigo.

Ok, não posso ser hipócrita e deixar de admitir que muitas das bandas só existiam para arrumar garotas mais facilmente. Mas, na maior parte dos casos, não era só isso. Havia uma relação muito mais genuína com a música, o que acabava por gerar bandas muitos mais comprometidas em criar algo novo e, consequentemente, fazer com que essa relação fosse renovada.


Alguém pode até sair de um show do Restart ou de alguma porcaria afetada que a NME tente empurrar pela nossa goela querendo montar uma banda, mas você há de concordar comigo que essa "taxa de empolgação" é infinitamente menor do que há 10 anos, mesmo com todas as facilidades que existem hoje em dia para gravar.

A música sempre foi um produto, mesmo como arte, mas hoje é algo muito mais banal do que antes. Atualmente, é muito fácil ouvir qualquer coisa, seja lá de onde for - e não estou dizendo que isso é ruim. As possibilidades de conhecer coisas novas aumentaram absurdamente. Entretanto, ao mesmo tempo em que o leque abriu, pôs fim à relação que muitas pessoas possuíam com os seus discos (e depois CDs).

Cada disco era valorizado. Cada fitinha que seu amigo gravou para você daquele disco que ninguém tinha era guardada com o máximo cuidado. Sim, no final das contas, seja no HD ou no LP, é tudo música. Mas o impacto que o "Sandinista!" do Clash causou em mim é certamente diferente de alguém que tenha baixado em algum blog. Eu peguei o meu primeiro salário, fiz a encomenda, esperei 30 dias, e voltei correndo na chuva, doido para saber como raios aquelas 36 músicas eram. Agora seria só escrever no Google e ir pegar uma Coca na geladeira que o disco estaria no computador. Há uma diferença, não?

Claro que não é somente isso que ajuda a diminuir a qualidade das bandas. Como eu falei anteriormente, ninguém se importa com mais nada. A maioria das pessoas não quer uma música que as faça refletir sobre nada, quer algo para dançar ou que as distraia no carro enquanto o engarrafamento não anda. Se todos estão desesperados para encontrar soluções para fugir dos problemas que a vida pós-moderna nos oferece todo dia, ninguém quer saber de uma música que as lembre de que a vida não é fácil.

Claro que não é todo mundo assim. Mas, infelizmente, somos cada vez mais minoria nesse mundo. Ainda existem uns malucos por aí com bandas, com blogs ou buscando uma maneira de aparecer. E eles são o rock de hoje em dia. Como no passado, nunca mais irá se repetir.

É melhor inventarem outra coisa.

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