Texto originalmente publicado no meu extinto blog de música em 23 de fevereiro de 2003

O texto abaixo foi escrito após mais um show da maravilhosa banda de glam rock, Nabuco on the Roxy. Trata-se, na verdade, de uma homenagem à banda que, de acordo com o guitarrista, se reunirá para um ensaio nesta sexta após alguns anos de hiato. É uma excelente notícia! Para quem me considera corneteiro em relação ao Botafogo, poderá ler, principalmente no 2º parágrafo, que eu sempre fui chato com tudo.

Considerava a situação da música carioca extremamente absurda. O Rio devia ser o único lugar no mundo em que o baixo nível das bandas e a sua enorme quantidade delas faziam você desistir de tocar, ao invés de partir com os amigos para tentar mudar tudo.

Ok, devo admitir que sou bastante exigente. Pertenci a um fã-clube e criticava a banda em minhas resenhas. Mas fazer o quê? Eu paguei, logo, quero o melhor! Não posso ficar parado em frente ao palco, completamente passivo, enquanto acordes mal tocados e músicos mal-humorados têm os seus 15 minutos de fama, que, para mim, sempre são longos demais.


Eu que, em um passado não muito distante, ia a todos os shows possíveis, já tinha perdido a esperança de encontrar uma banda da qual eu pudesse gostar. E, com isso, já estava quase começando a aceitar grupos que, hoje em dia, me fariam jamais chegar perto da entrada de seus shows. Vão me desculpar, mas vocês conhecem o ditado: "Depois da meia-noite, guardanapo é bolo."

E com essa gama de pensamentos eu me dirigi à Casa da Zorra, em agosto de 2002, para marcar presença em um show de amigos, que era a única desculpa razoável para me fazer ir a algum show.

Não faço a mínima idéia de quem tocou ou iria tocar, e tampouco estava me importando, mas quando vi um sujeito de vestido verde arrumando o baixo, imediatamente tive aquele pensamento que é comum entre todos aqueles que vêem o Nabuco on the Roxy pela primeira vez: "Quê raios é isso?" (claro que existem variações, sutis ou não).

À medida que os integrantes foram se ajeitando no palco, a confusão mental ia ficando cada vez maior. Eu não sabia o que pensar. A associação era tão óbvia, mas, ao mesmo tempo, tão absurda. Camisas brilhantes, calças apertadas...e um teclado! "Será que essa é glam?", perguntava-me. Já havia me iludido demais com as porcarias posers da Tijuca para acreditar de novo.

Mas, desta vez, não tinha erro, nem de minha parte e nem pela deles. Tudo parecia se encaixar perfeitamente. Dois guitarristas excelentes que se revezam nos solos e não ficavam tocando as mesmas notas (mania irritante dessas bandinhas novas!); baixista, tecladista e baterista que dominavam os seus instrumentos, e não meros repetidores de notas aprendidas em algum site da internet. E um vocalista espalhafatoso, que sabia interagir com a platéia.

Uma banda coesa com forte presença de palco - é a melhor afirmação. Com exageros, pois o rock ‘n’ roll necessita disso. E com a alegria, o sarcasmo e a ironia que o rock sempre teve. E o mais importante de tudo: sem forçar nada, sem tentar ser algo que eles não são.

Claro que fui obrigado a conversar com os integrantes após o show. E que felicidade foi descobrir que a pose (não há como ser glam sem ela), fica lá, guardada junto com os instrumentos.

Após essa longa conversa, em que descobrimos as mesmas influências, como Mott the Hoople e New York Dolls, e vários outros shows (só falta o jogo do Fogão, Rataus!), fica a constatação: eles são normais, assim como todas as bandas da Golden Age eram. E eles só querem duas coisas: divertirem a si mesmos e ao seu público.

E não é sobre isso que é o Rock 'n' Roll?

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