Fernando Lôpo foi mais feliz do que eu ao declarar a sua torcida pelo Uruguai. Leiam:


Jornalista: "No Brasil, é comum a criança brincar de futebol, fazer um gol e gritar "Pelé", "Ronaldinho" ou outro nome. No Uruguai você brincava de ser Obdulio Varela"?


Lugano: (pausa)... "Com Deus não se brinca".

Esse diálogo no "Bola da Vez", da ESPN Brasil, serve para ilustrar a relação que os uruguaios têm com sua seleção, seus clubes e os craques que fizeram a história deles. O mesmo poderia ser dito para os argentinos, onde Veron em alto nível joga no Estudiantes mesmo podendo ganhar muito mais em outros países. Ou Riquelme e Palermo, por um bom tempo jogando no Boca com salários abaixo do que poderiam ganhar fora de lá.

A reverência deles aos grandes craques de suas seleções mostra que jogam em primeiro lugar pela seleção, e isso cria uma relação forte com a torcedor, com o povo, mesmo que os jogadores estejam quase todos na Europa, como hoje é o caso da Argentina.

Aqui, na seleção da CBF e do Dunga, esses sujeitos que lá estão não jogam pela seleção. Jogam por eles mesmos, apenas por suas vaidades e ambições pessoais. Não que isso não haja nos jogadores de outras seleções. Há. A diferença é que na nossa a esmagadora maioria joga apenas por isso.

Desprezam a figura do presidente da República (e aqui pouco importa se é o Lula ou O FHC) se este ousar comentar algo sobre a seleção que seja diferente de dizer que todos são supercraques sensacionais. Desprezam até a figura de Pelé, não sabem quem foi Garrincha e, se uma parte deles não conhecesse Romário, o desprezariam também.

Em resumo, não tem uma relação sequer de admiração por aqueles que fizeram a história da seleção e do futebol brasileiro. Veem a si próprios como maiores do que tudo e ridicularizam o passado. Desprezam os torcedores também, que na visão deles só servem para exaltá-los. Se criticam ou vaiam, descem a lenha nos torcedores, como fizeram quando andaram ganhando merecidas e tardias vaias nos estádios brasileiros.

Não tenho empatia por essa gente e não me identifico por essa seleção. Das 31 restantes, há algumas que admiro e respeito. Dentre elas, a uruguaia, que calhou de ter um jogador do Botafogo, um jogador que fez um gol do título atual do Botafogo. A cada gol que marcar na Copa, teremos um gol marcado "pelo jogador do Botafogo".

Para essa seleção torcerei. Para a chamada seleção brasileira, alterno entre desprezo e torcida contra. E isso não me faz menos brasileiro do que ninguém.