"Turn the tables with our unity 
They neither moral nor majority 
Wake up and smell the coffee 
Or just say no to individuality"
(L7 - "Pretend We're Dead")


Com ajuda de Marcos Portella, Fernando Lôpo e Vitor Alves

Eu hesitei sobre qual número começar esse texto. Havia tantos deles a serem comentados. Poderia, por exemplo, falar - pela milésima vez - do baixo número de conselheiros presentes (cerca de 70). Ou, quem sabe, da volta "75% encaminhada" do Maicosuel.

Mas, claro, esses números são coadjuvantes. As estrelas eram os números que permeavam as folhas do parecer do Conselho Fiscal sobre as contas de 2008 e 2009.

O Conselho Fiscal, acertadamente, recomendou a reprovação das contas de 2008 (link para download ao final do texto). Havia números que não encontravam respaldo nos documentos do clube - serviços sem contratos. Saques sem comprovantes. O número de indícios era forte o bastante para que o Conselho Fiscal ignorasse e recomendasse a não aprovação das contas de 2008. Até aí, correto.

Após a leitura do relatório pelo presidente do Conselho Fiscal (CF), Nelson Mufarrej, a voz foi garantida para aqueles que dela quisessem fazer uso. Ora, um assunto dessa relevância certamente despertaria o interesse de diversos conselheiros. Provavelmente, todos eles estariam ansiosos para saber como havia sido a reunião com o Washington, contador do clube entre 2006 e 2008 e sobre quem pesavam as acusações.

Não, ledo engano. Dois subiram à tribuna para elogiar o trabalho do CF. Mas a fala de um deles merece destaque. Acostumado que está ao palanque, estufou o peito e, na sua voz mansa e pausada, declarou que, com "a experiência de quem tinha feito parte do Conselho Fiscal nas gestões Emil e Rolim", que analisar contas era um trabalho difícil. E foi isso.

O presidente do Conselho, Luis Eduardo, tratou logo de começar a votação. Talvez, em contraste simbólico com os dois que subiram ao púlpito, outros dois levantaram-se e opuseram-se à uma rejeição por unanimidade das contas.

Agora, o caso passa para a Comissão de Julgamento e Recurso. Eles decidirão o que fazer.

Antes de seguir com a história, é preciso uma pausa para lembrar pessoas. Digo lembrar, pois talvez tenha faltado isso para que Good e Montenegro aparecessem na reunião. Renha foi e não se manifestou na votação, endossando a não aprovação.

Passou-se às contas de 2009. Com elas, vieram o diretor financeiro do clube, Renato Blaute, e uma longa apresentação no Powerpoint. Na tela, números em sequência buscando provar que o Botafogo de 2009 era melhor que o de 2008. Ditaram-se números de 2009, transpondo-os para 2008, pois, segundo Renato, agora, sim, no seu lugar correto. Falou-se de 22 milhões de dinheiro da TV recebidos no passado, 9 milhões de publicidade para o Engenhão (sendo 6 da Liquigás) e 17 milhões em adiantamentos (11 da TV) feitos também em 2009.

Houve mais, claro. Mas números, ao longe, não são possíveis de serem visualizados, quanto mais entendidos. De perto, podem ser vistos, como, acredito, foram.

E Renato Blaute prosseguiu falando das maravilhas do Engenhão (ele não falou "Stadium Rio"). Até que encerrou a sua exposição, esticando as mãos sobre a tribuna na espera de alguma pergunta, como ele assim imaginou que seria após a autorização do presidente sobre o microfone estar aberto aos questionamentos.

"Não havendo perguntas, passemos à votação", declarou Luis Eduardo. Para todos nós que, sentados lá atrás, buscávamos entender aqueles números para encontrar algumas respostas para o descalabro financeiro do Botafogo, as palavras do presidente do Conselho soaram como uma bomba. "Como assim, não há perguntas?", era o nosso pensamento. "70 conselheiros assistem à apresentação e cruzam os braços?". Sim, era isso. Ninguém questionou nada, não havia necessidade de nenhuma explicação.

Será que não cabiam perguntas sobre alguns números? Entender os motivos dos 17 milhões em adiantamentos? Explicar a relação com os bancos que garantiram uma boa soma para o clube no ano passado. Não nada disso interessava.

Assim, aprovaram-se por unanimidade as contas de 2009 do Botafogo.

Houve, também, no início da reunião, a votação de mais condecorações. Quatro ex-atletas foram agraciadas com emerências. Não discuto a justiça da homenagem em si, certamente necessária. O que me preocupa é alta quantidade delas. Em outra reunião foram dez. Ontem, mais quatro. Ao final da gestão, quantos serão? Isso não é banalizar o título?

Mas, ao final, o vice-presidente geral pediu a palavra e subiu à tribuna. Como o salão perdia cada vez mais pessoas para o hall de entrada e para a varanda, só então pude ver as Taças Guanabara, Rio e do Campeonato Estadual expostas à frente da Mesa do Conselho. De lá ele reclamou, como sempre fez, da falta de elogios ao futebol do clube.

Com quase todas as cadeiras vazias e o som ao lado abafando o que se dizia no salão, o presidente do Conselho pediu aos poucos presentes que levantassem e cantassem o hino do clube. Aos primeiros acordes, meus ouvidos estranharam os instrumentos. Depois, veio um verso contendo uma palavra erroneamente no plural.

Pode até ser pouco, mas isso significa muito para alguns. Aliás, todos os números significavam muito para todos. Resta saber, o que eles significavam para cada um.

Pareceres do Conselho Fiscal (PDF):

2008
2009

Leia Mais:

"Posts no Twitter sobre a reunião do Conselho Deliberativo" (08/06/2010)
"Uma noite estranha na reunião do CD" (Blog do MCR - 26/08/2009)



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