Texto publicado originalmente no Blog do Movimento Carlito Rocha em 21/06/2008.
Também publicado no meu livro "Botafogo - Muito Mais que um Clube" (2010)


Nenhum alvinegro que acompanhou a vitória sobre o Fortaleza, na final da Taça Brasil de 68 (que foi disputada em 69), poderia imaginar que, para alguns, aquele seria o último título de sua vida. Para outros, durante um árduo e sofrido período, aquele campeonato significaria saudade. Porém, ele seria o marco inicial de uma época escassa de conquistas e recheada de frustrações.

Entretanto, mesmo assim, os 21 anos – sim, os malditos 21 – serviram para reforçar a identidade do alvinegro e a identificação com o Botafogo. Votos de "feliz ano novo" eram sempre seguidos de um "esse ano a gente consegue!". As preces eram permeadas de "por quês", como se apenas Ele pudesse dar fim àquela angústia interminável.

Alguns duvidaram de Deus, outros dos deuses do futebol ou até mesmo do próprio futebol; mas nenhum deles jamais duvidou que veria o seu time campeão.

A dúvida era sobre quando isso aconteceria.

Será que eles resistiriam? Afinal, aguentar a final escandalosa de 71, a perda do Mourisco e a eliminação vergonhosa de 81 não havia sido tarefa fácil.

E como transferir a paixão para os filhos? Como fazê-los entender que a relação é com o clube e sua história, não com títulos? Como fazê-los sentir orgulho do Botafogo ao som do maldito "Parabéns pra você"?

Felizmente, muitos conseguiram não só chegar a 1989, como fizeram a torcida crescer nesse período. Alguns se lembraram do pai que não estava mais entre nós enquanto Valdir Espinosa apontava para o placar eletrônico ("agora sim, podem comemorar!"); outros olhavam para o filho pequeno e pensavam que o pior já passou, a criança não precisará passar por esse sofrimento.

Mas todos souberam agradecer pelo 21 de junho de 89.

Naquele dia, todas aquelas voltas para casa, de cabeça baixa, chutando as latinhas entre um xingamento ao juiz ou ao zagueiro valeram à pena. Cada gota de suor sob o quentíssimo estádio de Marechal Hermes foi recompensada. As descidas na rampa do Maracanã – sob gozações dos rivais – não foram em vão.

Dessa vez, nada mais tiraria o brilho da estrela. Afinal, contra tudo e contra todos, o Botafogo era campeão novamente.

Nesta data, parabéns para você que estava lá em 1968 e contou, durante anos e anos, para todos os botafoguenses a sensação de ser campeão.

Nesta data, parabéns para você que era novo demais para comemorar em 68, mas manteve viva a esperança, pois, afinal, um dia seria a nossa vez.

Nesta data, parabéns para você que nasceu durante o "período negro" e ouvia, maravilhado e incrédulo, como tantos suportaram tanto por um clube. E sentia-se mais orgulhoso ainda da sua escolha.

E parabéns, também, para aqueles que, como Sandro Moreyra, chegaram perto, mas não tiveram a alegria de ver o gol do Maurício.

Enfim, parabéns para toda a torcida do Botafogo de Futebol e Regatas, que estava lá, nas piores horas, nos piores times, mas nunca desistiu.

Como se, de alguma maneira, pudéssemos desistir. Como se houvesse escolha.

Não há. Nunca houve. E vai ser sempre assim. Mesmo que os 21 anos se repitam.

Parabéns, botafoguenses.

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