"Tá bom, eu saio!"

Há, na torcida do Botafogo, um enorme ponto de interrogação em relação ao clube. Os questionamentos sobre a qualidade do time são frequentes e as respostas diferem de torcedor para torcedor.

O Botafogo foi campeão carioca com sobras ao vencer os dois turnos. Mas é bom ressaltar: convenceu em apenas um dos clássicos decisivos: a decisão da Taça Rio contra o mais ajudado.

O time que entra em campo nos jogos do Brasileirão é fundamentalmente o mesmo do Carioca: Jefferson, Alessandro, Fábio Ferreira, Antonio Carlos, Somália, Fahel, Leandro Guerreiro, Sandro Silva, Lúcio Flávio, Caio (Edno) e Herrera. As únicas alterações foram a chegada do Sandro Silva e a saída do Loco Abreu para apresentar-se à seleção.


Não é um grupo de qualidade, vamos admitir. Inicialmente, Joel armou o time em um 3-5-2 buscando conferir alguma qualidade ao péssimo sistema defensivo. Afastou Wellington e foi promovendo o Fábio Ferreira, o único zagueiro de verdade do Botafogo. Além disso, plantou o Fahel na zaga, onde o jogador começou a ter boas atuações.

A partir daí, o Botafogo começou a jogar melhor. Contra o Fluminense, na semifinal da Taça Rio, fizemos um péssimo primeiro tempo, mas, com a entrada do Somália na lateral, equilibramos o jogo e passamos à final - havíamos encontrado a melhor formação lá atrás, faltava resolver o meio.

Mas o tempo passou e esse foi o setor que não conseguimos resolver. Os volantes têm sido péssimos, capitaneados por Leandro Guerreiro. Fahel ou Sandro Silva nunca conseguem render bem ali, o primeiro por estar fora de posição, o segundo por estar em péssima forma. Na frente, Lúcio Flávio não consegue produzir jogadas, muito menos dar continuidade ao jogo como se espera.

O ataque tem sofrido com a ausência do Loco Abreu. Fora a preocupação que ele causa nos adversários, perdemos a nossa referência na área. Com isso, Edno, Caio e Herrera costumam se revezar no miolo do ataque, na maioria das vezes sem resultado, o que fez com que o desempenho ofensivo do Botafogo piorasse enormemente.

Ative-me apenas à realidade, não à real capacidade dos atletas de jogarem por um clube que, como o presidente falou no início do campeonato, almeja alcançar a zona da Libertadores.

Para que esse sonho seja possível, uma grande reformulação deveria acontecer. E, como estamos falando de futebol, uma ou duas mudanças, no máximo, devem ocorrer. Se tanto.

Lá atrás, salvo o Jefferson e o Fábio Ferreira. Já falei tanto do Alessandro, que peço aos amigos que consultem os arquivos do blog do MCR para ler as dezenas de textos contra ele. Antonio Carlos tem muitas deficiências técnicas que são mascaradas pelos seus gols (Escola Juninho de Enganadores). Já Marcelo Cordeiro não tem qualquer habilidade defensiva, tendo apenas alguma utilidade como um ala ofensivo - na reserva, claro.

No meio-campo encontra-se o nosso principal problema: não temos volantes e meias. Leandro Guerreiro encontra-se em franca decadência há uns dois anos e não tem físico e jeito de primeiro volante. Fahel pode quebrar um galho ali, mas o ideal é que fosse reserva. Sandro Silva até mostrou qualidades como segundo cabeça de área, mas é instável. Sobra o Somália, que pode ser o primeiro volante, mas que, nesse time, é mais útil como um lateral esquerdo mais plantado para a subida do Marcelo Cordeiro como ala.

Na meia, temos Lúcio Flávio e Renato Cajá. O primeiro já mostrou diversas vezes que não tem condições de apresentar-se e distribuir passes, sendo presa fácil da marcação, tornando-se o jogador indolente que tanto nos acostumamos a ver em campo. Renato Cajá alterna bons e maus momentos, mas não consegue ter uma sequência de jogos. Entretanto, tem alguma capacidade defensiva, já que consegue, ao menos, fechar um setor, coisa que o Lúcio Flávio não contribui.

Para o ataque, teremos a volta do Loco Abreu, o que deve contribuir bastante para o setor melhorar. Com isso, Herrera volta à sua posição original (correr que nem um louco por todo o campo e tocar para alguém), tendo como sombra o Caio e o Edno. Falando na revelação, falta um acompanhamento ao garoto, que está visivelmente abatido e assustado com a má fase e a cobrança da torcida.

É desanimador, mas dificilmente qualquer time do Brasil resistiria a um olhar mais profundo.

Se eu tivesse que definir prioridades nas contratações, seria assim:

1 - 1º volante
2 - 2º volante
3 - zagueiro
4 - meia
5 - lateral-direito
6 - meia
7 - atacante

É pedir demais: é, claro. Nenhum time contrata tanto, mas temos que começar a mudar a base desse time para o ano que vem. Tal mudança tem que ser gradual e nós já estamos atrasados.

OBS: O técnico fica para outro texto. É melhor.

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