Parte final dos três textos de um série chamada "Um estudo sobre o sócio-torcedor". O objetivo da série é analisar as necessidades do sócio-torcedor, as vendas no Engenhão, os atuais planos de sócio-torcedor e, finalmente, propor um novo modelo, sem alterações estatutárias. Sugiro a lida das partes "I - Introdução" e "II - Público do Engenhão" antes de iniciar a leitura desta parte III. 

O espaço está aberto para o debate!

Características comuns aos planos:

- Camisa do plano após seis meses (três no plano "Botafogo sem fronteiras")
- Acesso a uma parte exclusiva do site

Plano 1 - Sou VIP

Preço: 120 reais mensais (90 para sócios-proprietários)
Localização: Oeste Inferior - parte central (lugar marcado)

O objetivo principal do plano é oferecer ao assinante um serviço de alto nível e exclusivo. Um reforço a essa idéia é o destaque dado ao número de lugares disponíveis. No caso, 1500 pessoas.

No "Sou Vip", paga-se uma alta quantia (comparando com os demais planos) e o torcedor obtém uma cadeira personalizada com o seu nome no local escolhido. Com isso, o assinante não terá que se preocupar em procurar um bom lugar para ver o jogo. A sua cadeira já estará reservada.

O setor VIP é composto da parte central da Oeste Inferior e os dois setores adjacentes (um à esquerda e outro à direita). Vale ressaltar que não é possível comprar ingresso para o setor VIP. Somente os assinantes do plano têm acesso.

As vantagens param por aí. O preço é caro, muito caro. Um ingresso para a Oeste Inferior custa 40 reais. Como temos, em média, dois jogos por mês, o custo mensal "normal" para o setor é de 80 reais. Por mais que você esteja comprando o conforto e a exclusividade, não é possível que os preços praticados sejam basicamente os mesmos.

Das duas vezes que fui ao setor VIP, boa parte dos que estavam no setor eram sócio-proprietários. Com isso, eles pagariam apenas 90 reais por mês.

Ok, é válido dizer que, com dez reais (ou, em alguns casos, trinta) a mais, compra-se o conforto e a exclusividade de um setor. Mas é bom ressaltar que ainda não tivemos nenhum jogo de Oeste Inferior lotada. Quando isso acontecer, os assinantes do plano VIP não ficarão nada satisfeitos em terem que compartilhar as lanchonetes e os banheiros.

Se você pagou a mais por um setor, você não tem que, de maneira alguma, entrar em igualdade de condições com os assinantes dos planos inferiores ou com aqueles que não assinaram nenhum plano.

Solução:

- Aumentar o valor dos ingressos para a Oeste Inferior.

- Criar novas exclusividades para o setor Vip

 - uma pessoa vendendo os tickets para as lanchonetes exclusivamente no setor Vip (poderia ser um ambulante) 

 - vagas no estacionamento descoberto

Plano 2 - "Botafogo Acima de Tudo"

Preço: 50 reais mensais (40 para sócios-proprietários)
Localização: Oeste Superior (sem lugar marcado)

O objetivo do plano é oferecer a praticidade de não comprar ingresso. E só.

Não há possibilidade de escolha de lugar, muito menos de setor. Entretanto, nesse plano há realmente uma sensação de vantagem econômica, já que os ingressos para a Oeste Superior custam 30 reais. Com a média de dois jogos por mês, os gastos iriam para 60 mensais, sendo vantajoso pagar os 50 (ou 40) reais mensais. Ainda mais levando em conta a vantagem de não precisar comprar ingresso.

Crítica:

- O plano é exclusivo para o setor Oeste Superior. Deveria haver um para a Oeste Inferior e outro para o setor Norte.


Plano 3 - "Botafogo sem Fronteiras"

Preço: 25 reais mensais
benefício: Prioridade e 50% de desconto na compra de um ingresso

O plano "Botafogo sem Fronteiras", analisando o nome e suas características, tem o objetivo de oferecer uma facilidade àqueles que vão aos jogos freqüentemente. Além disso, o plano busca, também, criar algum vínculo com os torcedores de fora do estado do Rio de Janeiro - daí vem o nome "Sem Fronteiras".

Entretanto, o plano sai caro para aqueles que buscam o desconto. Os ingressos no Engenhão custam 20 (Norte), 30 (Oeste Superior) e 40 reais (Oeste Inferior). Para quem vai a dois jogos na Norte, o custo total para o mês seria de 45 reais (25 do plano + 10 reais de cada jogo). Já para a Oeste Inferior, o gasto mensal seria de 65 reais (25 + 20 + 20).

Para a Oeste Superior, a situação seria ainda mais absurda. O custo seria de 55 reais (25 + 30). Seria muito mais vantajoso para o torcedor aderir ao plano "Botafogo Acima de Tudo" que direito à Oeste Superior por 50 reais mensais.

Para quem está fora do Rio de Janeiro, o plano também não é bom. A característica óbvia seria ajudar o Botafogo. Entretanto, se é uma contribuição que não envolve contrapartida (quer dizer, há a camisa e o acesso ao site), não há nenhuma razão para o preço ser tão alto.

Os custos operacionais para um plano desse tipo são mínimos. Na verdade, há apenas a questão do gerenciamento da cobrança, já que a camisa oferecida não sairá por mais de cinco reais. Então, porque foram reunidos os dois tipos de torcedores no mesmo programa?

Não há explicação lógica. E tentar buscar uma resposta entraria em uma área que não cabe aqui, muito embora eu já tenha detalhado em outros posts.


Solução:

É extremamente necessário separar o torcedor de fora do Rio de Janeiro dos que vão aos jogos. São dois grupos completamente distintos e que jamais poderiam ser reunidos.

Torcedores de fora do Rio de Janeiro

Preço: 10 reais
Benefícios: a cada dez reais mensais a mais que você pagar, ganha um cupom a mais para concorrer a viagens ou outros prêmios.

Esse plano serve, principalmente, para fortalecer os laços do torcedor de fora do Rio de Janeiro com o clube. A questão financeira é um diferencial, claro, mas só fará diferença quando o plano atingir um alto número de associados. E querer atingir esse número rapidamente é um erro.

Inicialmente, irão aderir os mais fanáticos e que já esperavam qualquer oportunidade de poder colaborar. Depois, os que torcem pelo clube, mas não são tão fanáticos e por aí vai. O processo se dá por ondas, com cada grupo servindo como instrumento de propaganda junto aos demais que não aderiram ainda.

Foi exatamente assim com o Internacional. O processo é bem parecido com esses grupos de marketing multi-nível.

OBS: Nada impede que um torcedor do Rio de Janeiro possa aderir a esse plano. Entretanto, ele não teria acesso ao desconto de 50% nos ingressos, nem à prioridade na compra.

Torcedores do Rio de Janeiro

Preço: 10 reais

Como demonstrado na parte II desse estudo, das pessoas que pagam ingresso nos jogos do Engenhão, cerca de 60% são estudantes. Então, para quem já tem o benefício, seja legal ou ilegalmente, não vale a pena aderir a um programa que custa 25 reais. A única vantagem seria a preferência na fila.

Sendo assim, por que não colocar a maior parte dessas pessoas na legalidade, por um preço baixo?

Para o clube, como visto anteriormente, não há muita diferença, já que os 60% já possuem o benefício da meia-entrada. Com isso, o Botafogo teria a oportunidade de faturar em cima dessas pessoas, o que não ocorre hoje. Em contrapartida, por um preço simbólico, o torcedor teria a preferência na compra do ingresso e o desconto de 50%.

Conclusão: Obviamente, esse é apenas um estudo superficialmente, principalmente na conclusão, mas essas são as linhas de onde o programa deveria ter partido.
 Não entrei em assuntos como direito a voto e acesso às sedes, mesmo eles sendo extremamente importantes. Fiz questão de pular esses tópicos pois eles envolvem discussões acaloradas e, principalmente, reformas estatutárias, que sempre são extremamente complicadas no nosso clube.