Texto publicado originalmente no dia 15 de fevereiro de 2010 no blog do Movimento Carlito Rocha. Com a volta do Maicosuel, o conteúdo torna-se mais atual do que nunca. Leiam o texto e lembre-se do pênalti cobrado pelo Loco Abreu. Agora, com os dois, a confiança da torcida vai aos céus.


O drible que não saiu de nossas mentes


Há quanto tempo você não vai a um estádio e presencia um momento histórico que você - instantaneamente - sabe que irá contar para os seus filhos e netos daqui a uns 30 anos?

Faz muito tempo que não somos testemunhas de um lance genial ou um gol incrível que nos faça olhar para o lado e perguntar: "você viu aquilo?".

Não posso jogar a culpa apenas na mediocridade do atual time do Botafogo. Nos últimos dez anos, posso citar o gol de letra do Alex Alves contra aquele time; vários momentos do time de 2007, com destaque, talvez, para o segundo gol contra o Vasco, no 2 x 0 do Brasileiro, onde fizemos uma linha de passe sensacional e o drible do Maicosuel no Juan.

Uma das grandes atrações do esporte é a imprevisibilidade. Quer dizer: - nós, pessoas normais, podemos praticar a maioria dos esportes que existem. Porém, seremos medíocres em todos eles, com alguma exceção aqui ou ali. Já os profissionais, não. Deles é esperado algo diferente, que fuja da normalidade - e é exatamente isso que leva as pessoas aos estádios e à TV, e não apenas a presença de um craque.

Obviamente não estou falando de jogos decisivos, nos quais a expectativa pelo título é a maior atração.

Ao sair da mesmice, ao criar-se a expectativa de que poderemos presenciar um time sensacional, uma jogada genial, outra goleada ou um gol como aquele que foi reprisado mil vezes em todos os programas esportivos, aumenta-se gradativamente o interesse pelas partidas.

Vale lembrar que tal sentimento é potencializado por estarmos não apenas na era da informação, mas, também, em uma época onde o público é parte do espetáculo - quando não é o personagem principal.

Hoje, mandamos um torpedo do estádio para os nossos amigos e, ao chegarmos em casa, atualizamos o blog, Orkut e Twitter com as nossas impressões do jogo. Se presenciamos algo "fora de série" (como eu descrevi alguns parágrafos acima), contaminamos os demais com a vontade de estar em um estádio e fazer parte daquele espetáculo e/ou presenciar um novo momento extraordinário.

E é na torcida que temos que trabalhar. É necessário fortalecer a ideia de que assistir a um jogo do Botafogo é algo único. Claro que, hoje, o time não ajuda e, a não ser em momentos de curta duração como uma briga contra o rebaixamento ou algum ocasional jogo de final de campeonato, é impossível trabalhar a torcida nesse sentido. Quer dizer, seria possível chamando a torcida para a reconstrução do clube, mas isso só poderia acontecer com um novo presidente que tivesse muita empatia com a torcida.

Voltando à ideia inicial da imprevisibilidade. O quanto levaríamos a mais de pessoas ao estádio se o Maicosuel continuasse no Botafogo após o drible desconcertante na final contra aquele anão moral? A imagem do drible se espalhou como um "flagra do BBB" por toda a internet. Quantas pessoas que não tinham ido a um jogo naquele ano não seriam tentadas a ir se soubessem que o Maicosuel jogaria no próximo?

Sendo assim, não basta apenas um time forte. Com toda a facilidade para assistir a um jogo em casa ou no bar mais próximo, é necessário mais. Precisamos tornar um jogo do Botafogo uma experiência única, envolvendo o time, o Engenhão e a torcida.

SIGA-ME NO TWITTER
CLIQUE NA PROPAGANDA ABAIXO
E AJUDE A MANTER O SITE