Saiu uma pesquisa do Instituto QualiBest sobre o tamanho das torcidas. Foram ouvidas 1.627 pessoas de todo o Brasil, acima de 18 anos e que pertencem às classes A, B e C.

Com esse corte, podemos concluir que o objetivo da pesquisa é mapear a população economicamente ativa e que, em tese, tem condições  e vontade de gastar algum dinheiro com o seu clube. É uma premissa interessante, mas é falha, pois muitos adolescentes possuem uma fonte de renda (estágio ou mesada) e são donos da própria decisão de consumir ou não um produto. Além de, claro, poderem pedir aos seus pais para comprar algum item do clube.

Infelizmente, não consegui achar o resultado completo da pesquisa. Eles nunca divulgam a íntegra para download, o que é uma coisa que eu não consigo entender. Mas vamos a algumas observações importantes.

O percentual de torcidas tem uma pequena variação, desta vez apontando o Corinthians na frente do Flamengo, com 18% contra 15%. O São Paulo está um pouco atrás, com 14%%. O Vasco possui 4% e o Botafogo está empatado com o Fluminense com 2%.

É claro que, a partir daí, já podemos ficar receosos com a pesquisa, já que, de acordo com os levantamentos feitos pelos demais institutos, a diferença entre o Flamengo e o Corinthians sempre foi próxima dos 5% em favor do clube carioca.

Essa diferença pode ser em parte explicada pela ausência dos torcedores de 16 e 17 anos, principalmente aqui no Rio de Janeiro, onde o crescimento do Flamengo nesse segmento é visível.

Segundo a pesquisa, esses são os números em relação ao comparecimento aos estádios:

34% - nunca foram a um estádio ver um jogo do seu time.
8% - duas a cinco vezes por ano no estádio
22% - mais de um ano sem ir ao estádio
22% - uma ou duas vezes na vida

A média de frequência é 2,7 idas ao ano aos estádios.

Foi questionada a paixão pelo futebol. Entre eles, 17% declararam "gostar demais de futebol". Nesse grupo, a média anual de frequência aos estádios é de seis vezes. Já os que dizem gostar "muito" vão, em média, três vezes por ano.

Aqui, um questionamento: qual é realmente a diferença entre gostar demais ou muito? Eu não saberia o que responder. Claro que eu escolheria a opção que estivesse no topo da tabela, mas, mesmo assim, não deixa de ser uma pergunta sem muito critério.

Há, ainda, a informação que 54% dos entrevistados gastam algum valor por mês com produtos relacionados aos clubes, com 60% deles declarando-se satisfeitos. A camisa do time é o produto principal na lista, com 60% da preferência.

Posto isso, gostaria de passar ao assunto que realmente interessa: quem é, na verdade, torcedor de futebol?

É realmente válido considerar quem não vai mais ao estádio e não consome mais produtos como torcedor de um clube? Qual é o valor para um clube desse torcedor? Claro que há o aspecto estatístico de ter uma torcida maior, já que, como sabemos, esse é um fator importante na hora de escolher um time. Entretanto, considerando o aspecto econômico, qual é a utilidade?

Não seria interessante uma pesquisa que fizesse o corte entre, digamos, a "população economicamente ativa do futebol"? Aqueles que, de alguma maneira, estão relacionados com o clube, seja através dos ingressos, jogos na TV (pay-per-view ou não), sócio-torcedor ou compra de produtos?

Essa informação seria muito mais útil para as empresas, que poderiam ter um panorama mais fidedigno da realidade, não tendo que trabalhar com médias de audiência, de comparecimento ao estádio e as pesquisas normais de preferência.

Além disso, serviria para acabar com a velha discussão entre torcedores fanáticos, que sempre reclamam dos torcedores virtuais, que só aparecem na hora da vitória. Pouca coisa irrita mais aqueles que estão lá o ano inteiro e descobrem, ao fim do campeonato, que aquele seu vizinho também compartilha da sua preferência. Aí, no ano seguinte, quando as coisas não vão bem e você está chateado, ele te diz: "não fica assim, é só um jogo...".