Esse texto complementa o "Um estudo sobre o sócio-torcedor - Público do Engenhão (parte II)", onde eu analiso os números da torcida no Engenhão relativos ao Brasileirão do ano passado.

Analisando o público do campeonato carioca, chega-se à conclusão que o Botafogo precisa urgentemente trabalhar mais o seu sócio-torcedor. Das quase 20 mil pessoas que assistiram aos seis jogos analisados (Friburguense, América, Resende, Duque de Caxias, Olaria e Bangu), apenas 1758 (6,3% do total) eram sócio-torcedores.

O número de sócio-torcedores manteve relativamente estável durante todo o campeonato. O menor número foi de 185 contra o Bangu (4 de abril), onde tivemos um público de apenas 1368 pessoas. Já o maior número (da série pesquisada) foi o da 2ª rodada (21 de janeiro) contra o Friburguense: 389 sócio-torcedores em um público total de 7474 presentes. 

Embora os clássicos contra o Vasco e o Flamengo tenham sido realizados no Engenhão, optei por deixá-los de fora dessa amostragem, já que, em ambos os jogos, ocupamos apenas metade do estádio, o que prejudicaria a contagem de público em cada setor. Entretanto, por curiosidade, tivemos 377 sócios-torcedores contra o Vasco (1,5% do público de 25052 pessoas) e 440 contra o Flamengo (4,84% de 9074).

Comparando com os doze jogos analisados no Brasileiro de 2009, a média de sócio-torcedores aumentou. No ano passado, apenas 3% dos torcedores presentes nesses jogos participava do programa do clube.

O que chama a atenção nos jogos é o número de gratuidades. Em média, 30% das pessoas que assistiram aos cinco jogos destacados não pagaram ingressos.

Separando os ingressos que efetivamente foram comprados, há um aumento na proporção entre os de meia-entrada e os de inteira. Enquanto no Brasileirão, a proporção em favor dos ingressos de estudantes era de 61%, no Carioca passou para 68%.

A má utilização do estádio é outro item que chama a atenção. A proporção de torcedores em alguns setores em comparação com os demais é prejudicial. O estádio não conta com serviços para atender a todos, tendo que dividir os seus recursos. Sendo assim, um setor como o Norte recebeu cerca de 24% de todo o público, enquanto o Oeste Superior recebeu 11%, o Leste Superior 13,3% e o Leste Inferior, 7,86%.

Com o Brasileiro, parte desse problema é resolvido com a obrigatoriedade de se destacar o setor sul para os visitantes (10% do estádio).

Uma solução para é um setor popular, como o norte que custa 20 reais. Porém, com cerca de 70% dos torcedores pagando meia-entrada, a principal opção continua sendo a Leste Inferior, ainda mais que as principais organizadas encontram-se neste setor.

Com essa distorção causada pela meia-entrada, qualquer tentativa de se setorizar um estádio através do preço é prejudicada. O clube deveria tentar aumentar a vigilância no setor, focando na entrada, não na venda - mas esse é outro assunto.

Porém, a principal medida seria trazer essas pessoas que estão pagando 1/2 entrada - sejam elas estudantes ou não - para algum plano existente, através de um sócio-torcedor barato, não um de 25 reais. Não é vantagem para quem já paga 1/2 aderir a um dos programas oferecidos pelo clube. É, na verdade, jogar dinheiro fora.

E, acreditem: ninguém quer perder dinheiro. Mesmo que seja com o Botafogo.


Alguns dados curiosos (sempre em relação à média dos cinco jogos):

- Apenas 20,50% das pessoas presentes ao Engenhão pagaram ingresso de inteira. Excluindo as gratuidades, esse número sobe para 31,84%.

- A maior distorção nos ingressos aconteceu no setor Norte, no jogo contra o Resende. Das 1963 pessoas presentes no setor e que compraram ingresso, 1627 (83%) eram, em tese, estudantes.

- Na verdade, houve casos em que a diferença era até maior, só que o número de pessoas no setor era muito baixo. Por exemplo, os 176 que pagaram 1/2 entrada entre os 200 que estavam na Leste Inferior contra o Duque de Caxias no dia 4 de março.

- O menor público pagante de um setor foi contra o Bangu, no dia 4 de abril. 49 pessoas (27 de 1/2 entrada) pagaram para assistir o jogo na Leste Inferior. O público total do estádio foi de 1368 pessoas, com 552 gratuidades.

Leia também:


Um estudo sobre o sócio-torcedor - Introdução
Um estudo sobre o sócio-torcedor - Público do Engenhão (parte II) 
Um estudo sobre o sócio-torcedor - Os atuais planos do Botafogo (parte final) 

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