"I can see all obstacles in my way"
("I can see clearly now" - Johnny Nash)


Escrevo regularmente sobre o Botafogo há cinco anos. Nesse período, misturei notícias com críticas e avaliações sobre o que eu enxergava a respeito da torcida e do clube. Embora tenha conseguido sair na frente do restante da imprensa em muitas notícias, esse nunca foi o meu foco principal. A minha preocupação sempre foi outra.

Olhando um pouco para trás, avalio que dediquei um tempo e importância exageradas à política alvinegra. O que acabou eclipsando muitas discussões importantes, mas que foram relegadas ao segundo plano por causa da política.

Por muito tempo, a política alvinegra resumia-se a nomes, não ideias. Brigas e desavenças eram a tônica, deixando de lado uma agenda de mudanças necessárias para realmente transformar o clube.

Aos poucos, eu fui sendo dragado para esta briga. Não que alguém tenha me obrigado, mas eu me sentia compelido a participar dela. Com isso, eu acabei deixando de lado muita coisa importante, dedicando um tempo que poderia ser mais bem aproveitado em outros assuntos.

De fato, ninguém se importa com a política. Quer dizer, existem, sim, alguns poucos. E quase todos eles são meus amigos ou conhecidos. Na maior parte das vezes, eu me sentia como um padre pregando para as mesmas pessoas. E, na prática, as discussões não avançavam.

O lançamento do meu livro mudou demais a minha forma de enxergar o leitor alvinegro. Nesses 10 meses de preparação, eu imprimi mais de 100 textos com os respectivos comentários e li atentamente cada um deles. O que eu tiro dos meus escritos é que eu coloco demais de mim nos textos. E havia quase uma relação proporcional na minha, digamos, "entrega", com o número de comentários.

Sendo assim, qual é o sentido de continuar por esse caminho? Brigar por um Botafogo melhor? Pergunto, então: o que será esse melhor?

Confesso que não tenho essa resposta.

É claro que, em um blog, defendo uma visão e não devo satisfação a ninguém. Aqueles que não concordam, são livres para procurar outro espaço. Mas a outra questão que coloco é: eu estava certo no caminho do enfrentamento anterior ou eu estava apenas colocando mais lenha na fogueira, incentivando a política de nomes, que eu critiquei anteriormente?

Também não sei, mas, vocês não podem terminar essas linhas sem uma certeza. Então, levem essa: eu estou melhor agora, se é que isso indica alguma coisa.

Eu espero que sim.