Na véspera do lançamento do meu livro "Botafogo - Muito Mais que um Clube", bati um papo com a Maria Clara Cardona que virou uma entrevista para o Redação Alvinegra (através do Danilo Rezende) e para a coluna da Clara no Bela da Bola (site de futebol comandado apenas por mulheres). Segue a entrevista:

Se a paixão pelo clube de futebol inúmeras vezes já virou até caso de polícia, registrar os casos de amor e ódio com ele pode ser um boa maneira de compartilhar lembranças. E foi exatamente isso que o estudante de jornalismo e integrante do Movimento Carlito Rocha (MCR) fez. Thiago Pinheiro reuniu em um livro 73 textos de 2006 a 2010 contando viagens inesquecíveis, frustrações, loucuras, sonhos e sofrimentos que viveu com o Botafogo.

Lançado na última sexta-feira, no Sindicato dos Bancários, no Centro do Rio, “Botafogo – Muito mais que um clube”, chega para integrar uma vasta coletânea de livros de futebol e, mais ainda, relacionados ao Alvinegro carioca. No entanto, o livro de Thiago é especial. Ao invés de focar no passado de glórias do clube, o jovem, de apenas 28 anos, prioriza as frustrações na relação entre torcedor e clube. Um ponto de vista interessante e que vale a pena ser lido por todas as gerações de botafoguenses.

Confira a entrevista com o estudante:


Bela da Bola: Quais são os assuntos abordados no livro?

Thiago Pinheiro: O livro é uma coletânea de 73 textos escritos para o Blog do MCR (mais um que não foi publicado e outro que não tenho a menor idéia de onde saiu) entre os anos de 2006 e 2010.

A ideia surgiu após a boa repercussão de um texto sobre a final de 2009 – “A Derrota”. Nele, eu desabafava sobre como é difícil torcer pelo Botafogo, mas, pior ainda é tentar manter-se motivado a fazer algo pelo time e a continuar torcendo, tudo isso pelas enormes dificuldades que o Botafogo encontra pela frente. Não que eu fosse desistir do Botafogo, mas era um sinal de cansaço diante dos três vergonhosos campeonatos.

Sobre os assuntos, eu me concentro, na maior parte das vezes, na relação entre o torcedor e clube – é isso que me interessa. Apesar de não parecer, eu odeio falar sobre política, mas é necessário. Contudo, existe apenas um texto político no blog. Talvez dois, mas este último é apenas um desabafo.

Há duas partes no meu prefácio que resumem bem o que eu tentei fazer no blog: “Se há uma coisa de que eu sempre senti falta no jornalismo esportivo são textos com a visão da torcida.” e “Eu busquei, na maior parte do tempo, entender o que me fazia sair de casa e enfrentar a chuva, o frio, o calor infernal, a truculência policial, a falta de transporte e, em muitas vezes, a falta de qualidade do time do Botafogo. (…) mas eu queria, principalmente, aproximar as pessoas do Botafogo. Relatar experiências, sejam elas minhas ou de outrem, para que os leitores se identificassem e, assim, com as devidas proporções, pudessem ter uma ideia do que aconteceu.

Sempre foi esse o meu objetivo. Sou um pouco exagerado, é verdade, mas não sou nem um pouco comedido com as coisas que eu amo.

BB: Por que a escolha desse nome para o livro?

TP: O livro, como eu falei, tem o foco principal na relação entre o torcedor e o clube. O nome é uma resposta para as perguntas que eu faço sobre essa relação.

BB: Conte um pouco da sua trajetória como botafoguense.

TP: Meu tio, Mário Sérgio Pinheiro (vice-geral do clube entre 2003-2005), me livrou das garras do mal bem cedo. No que eu sou eternamente grato. Com isso, comecei a frequentar bem cedo o Maracanã e depois o Caio Martins (um estádio que eu não suporto, pois eu tenho mais azar lá do que o Lúcio Flávio em finais). Depois, cresci com o radinho debaixo do travesseiro para ouvir as notícias de contratações (a vida era muito mais difícil na década de 90).

Em 2000, comecei a atuar politicamente no clube ingressando no extinto Mitob, uma associação de torcedores. Em 2001, saí do grupo e ingressei no MCR, onde estou até o momento. Fui diretor da Comfogo por um breve período no início de 2009. Mas continuo um torcedor chato e reclamão, como sempre fui. Isso eu não consigo mudar (risos).

BB: Como foi a aceitação do seu tema pela editora?

TP: A aceitação foi boa. Eles gostaram na hora, ainda mais porque eles estavam com a pretensão de crescer nessa área de futebol. Conversamos bastante e eles perceberam que seria interessante correr, pois o Botafogo já estava na final do Carioca. E seria bom aproveitar a data. A primeira reunião foi logo após o título da Taça Guanabara. Corremos bastante. Mas a verdade é que o livro já estava pronto. Eu já havia feito a diagramação e bolado a capa. Faltavam apenas alguns detalhes.

BB: Qual é a importância de ter seu nome na galeria dos autores alvinegros?

TP: Lançar um livro sobre o Botafogo é um sonho. Infelizmente, não fui jogador de futebol, embora se eu tivesse conhecido o André Lima quando eu era mais novo certamente teria forçado um pouco mais. Porém, saber que as pessoas vão sair de casa, gastar o seu dinheiro para comprar o meu livro é uma sensação maravilhosa. Espero que a leitura proporcione boas recordações e seja um momento agradável. E que fique bem na estante, claro!

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