No dia 28 de janeiro, eu e mais três amigos fomos até São Januário assistir à partida entre Botafogo e Boavista (2 x 1 para o Botafogo). Havia dois tipos de ingresso, um para as arquibancadas custando 40 reais e outro para as sociais custando 50.

Escolhemos as sociais pela proximidade com o campo e conhecer um pouco mais do estádio de São Januário. O público era muito pequeno graças à derrota vexatória contra o Vasco no jogo anterior e a combinação nada animadora de jogo às 22h passando na TV.

Com isso, passamos à nossa brincadeira habitual de tentar adivinhar o público no estádio. O mais otimista cravou 800. A aposta mais baixa beirou os 500 presentes.

O Botafogo ganhou, refreou um pouco a crise instalada após a goleada sofrida e nós voltamos para nossas casas.

No dia seguinte o borderô saiu e com ele veio a perplexidade diante de mais um absurdo no campeonato organizado pela Ferj. Foi declarado um público presente de 1975 pessoas! O que, claro, estava muito longe da realidade, como vocês podem comparar nas fotos abaixo.

Fotos por Fernando Lôpo

Entretanto, esse não era o fato mais grave do borderô. A informação dos ingressos vendidos em cada setor dizia eu, meus amigos e as cerca de 70 pessoas presentes nas cadeiras sociais de São Januário não estavam presentes no estádio. O borderô indicava que haviam sido postos à venda apenas ingressos de arquibancada e nenhum para as sociais.



Com isso, eu e meu amigo Fernando Lôpo, começamos uma batalha para poder reclamar sobre os nossos direitos. Já faz muito tempo que discutimos sobre a total falta de respeito com os torcedores e essa era uma oportunidade única para podermos cobrar mais transparência na relação com o torcedor.  O Fernando protocolou a denúncia no Ministério Público, o que gerou alguma repercussão na imprensa, como a entrevista feita conosco na ESPN pelo Cícero Melo.


Além disso, graças a essa denúncia, fomos convidados pelo promotor Rodrigo Terra para representar os torcedores na reunião entre os clubes, a Ferj e a BWA. Vocês podem ler mais sobre essa reunião no texto "Os clubes, a Ferj, a BWA e você".

O tempo foi passando e já havíamos até esquecido desse tema, quando, na terça-feira, chega um e-mail do Ministério Público informando que a nossa denúncia deu origem ao Inquérito Civil 455/2010.

Segundo eu pesquisei, um Inquérito Civil é um procedimento do Ministério Público para apurar fatos que comprovem lesão aos interesses dos consumidores. Segundo o que a especialista em Direito Tributário, Carmen Ferreira Saraiva, escreveu para o site Boletim Jurídico, o Inquérito Civil:

"(...) integra o rol das funções institucionais privativas do Ministério Público (art. 129 da Constituição Federal). Nele não há contraditório, nem acusação, tampouco aplicação de sanção. Ele não cria, não modifica e nem extingue direitos. Há somente controle de legalidade pelo Poder Judiciário. Ele é uma medida prévia ao ajuizamento da Ação Civil Pública, prevista na Lei nº 7.347, de 1985, mas não é obrigatório, pois esta ação pode ser instaurada independentemente dele."

Talvez, possa não dar em nada, embora esse seja um crime de falsidade ideológica, como declarou o promotor Rodrigo Terra. Entretanto, a denúncia foi feita e, como podemos ver, está avançando no Ministério Público.

Que os responsáveis respondam e paguem por mais esse absurdo cometido contra o torcedor e que um dia possamos ser tratados com respeito. Até lá, temos que seguir vigilantes.

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