sexta-feira, 2 de março de 2012

Parabéns ao Rio de Janeiro


Eu gosto do Rio de Janeiro, gosto das pessoas que aqui estão, do meu Botafogo que resiste lá do outro lado do túnel.

Detesto bairrismo, sou contra qualquer espécie de fronteira, não acredito em bandeiras. Assim, parabenizo as pessoas que aqui estão, aqueles que conseguem tornar uma fila um episódio agradável com uma conversa profunda sobre todos os problemas do mundo e sumir para todo o sempre. 

E Se as pessoas são espontâneas assim aqui - e eu não conheci outro lugar igual - certamente há alguma relação com a cidade. E se o meio ajuda a moldar o homem, feliz é aquele que aqui vive.

Então, parabéns ao Rio de Janeiro.
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O Caminho da Baderna no Carnaval


O assunto deste final de carnaval é um só: a confusão na apuração das Escolas de Samba de São Paulo. As imagens de um integrante da Império da Casa Verde invadindo a área protegida, pegando os envelopes com as notas e os rasgando em seguida, certamente ganharão o mundo. Porém, a baderna provocada pelos componentes da Gaviões da Fiel foi muito pior.

É difícil entender os motivos da revolta de ambos. A Casa Verde parecia estar livre do rebaixamento, já que faltavam apenas duas notas e ela estava com 159 pontos, 0,9 à frente da primeira rebaixada, a Pérola Negra. 

Já a raiva da Gaviões da Fiel teve início no sétimo quesito, Evolução, quando a jurada Mary Dana deu 8,9 à escola. Entretanto, o regulamento descarta a menor nota, o que deu à agremiação 19,6 no total por Evolução (9,9 e 9,7). Os corintianos terminaram empatados na 7ª colocação com outras duas escolas.


Em entrevista ao G1, o presidente da Gaviões da Fiel, Donizete, diz que "ficou com um pé atrás" com a mudança de um jurado por um suplente e o presidente da Vai-Vai, Neguitão, informou que "a gente estava sentindo um cheiro de clorofila no ar", se referendo a uma suposta ajuda à escola Mancha Verde, da torcida do Palmeiras. 


Sendo assim, há motivo para tanta revolta? Não digo por parte do presidente, mas pelos integrantes da torcida que iniciaram uma confusão do lado de fora, com cenas lamentáveis onde eles derrubavam pesados blocos de cimento que serviam para desviar o trânsito, bem como as tentativas frustradas de derrubar a grade que protegia alguns carros alegóricos. Além disso, jogaram tudo o que puderam por cima das grades. Por fim, um dos carros apareceu pegando fogo, embora não se possa afirmar quem tenha sido o responsável.

Com isso, surge outra pergunta: o que leva uma pessoa a ter esse comportamento?

A imagem de dezenas de pessoas pulando dando pontapés na grade é de assustar. O comportamento é típico de uma manada, que só floresce nas pessoas quando estão em um grupo, como bem resumiu o Prêmio Nobel de Economia de 1974, Hayek ("O Caminho da Servidão", IL, 1990):

"(...) o desejo de identificação do indivíduo com um grupo resulta com frequência de um sentimento de inferioridade, e por isso tal desejo só será satisfeito se a qualidade de membro do grupo lhe conferir alguma superioridade sobre os que a este não pertencem. Às vezes, ao que tudo indica, o próprio fato de esses instintos violentos que o indivíduo é obrigado a refrear no seio do grupo poderem ser liberados numa ação coletiva contra os estranhos constitui mais um incentivo para fusão de sua personalidade com a do grupo."

Embora não se referisse a integrantes de organizadas, mas, sim, de pessoas em partidos totalitários, o raciocínio é o mesmo. Não há mais diferença entre a personalidade do torcedor e da escola. Assim, quando a escola é supostamente "roubada", ele o foi também. Com isso, impediram a sua escola de vencer e, logicamente, ele, o torcedor, de ter sucesso em alguma coisa, talvez, a única em que possa ter sucesso na vida. E como o grupo lhe confere um sentimento de superioridade, talvez até de impunidade, é necessário agir. O que também é explicado por Hayek:

"Agir no interesse de um grupo parece libertar os homens de muitas restrições morais que regem seu comportamento como indivíduos dentro do grupo".

Ora, se as amarras morais estão libertadas - e podemos considerar que, no caso de um grupamento organizado de futebol, elas já não são muitas - e se o grupo foi impedido de atingir o seu objetivo; é necessário, então, na visão do grupo, tentar impedir o rumo dos acontecimentos, mostrar a sua revolta, chamar a atenção.

E só isso pode explicar a cena triste e quase infantil de dezenas de homens pulando e atirando os seus pés em direção à grade.

Por sorte, não houve rivais e a polícia impediu o confronto com a Mancha Verde. Pois, decerto, o caos poderia ser muito maior.

É, todo carnaval tem o seu fim. Alguns felizes, outros não.

Fotos: UOL / MeuTimão / Terra
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Aprovação de Ron Paul cresce entre os americanos


Nova pesquisa de opinião da CNN/ORC mostra que, entre todos os americanos, Ron Paul é o republicano com a avaliação mais positiva. O libertário chega a 42% de avaliação favorável, enquanto Romney tem 34%, Santorum 32% e Newt Gingrich tem 25%.

Esse item da pesquisa tem quatro opções: "favorável", "não favorável", "nunca ouvi falar" e "sem opinião". Outra boa notícia para Ron Paul é que, conforme ele vai se tornando mais conhecido, os seus índices de "favorável" aumentam. 

Desde 2011, essa é a quinta pesquisa do tipo, então, vamos tomar por base os números de maio do ano passado.

Ron Paul saiu de 29% de desconhecimento para 10% no período, com a sua aprovação subindo de 30% para 42%. Já Newt Gingrich era desconhecido por 14%, enquanto agora é para apenas 8%. Em compensação, a sua aprovação caiu de 30% para 25%.

O favorito nas pesquisas entre os republicanos, Mitt Romney também apresenta queda. Se em maio de 2011 ele era desconhecido para 19%, hoje é para apenas 5% dos americanos. Já as opiniões favoráveis passaram de 40% para 34%. É bom lembrar que Romney era o governador de Massachusetts até janeiro último.

O ex-senador pela Pennsylvania Rick Santorum vem subindo nas aprovações. Passou de 16% em maio de 2011 para 32% agora. Ele era o mais desconhecido do público, com 51%. Hoje o índice é 15%.

O que impressiona é a alta subida na rejeição de todos os candidatos de maio de 2011 para cá. Gingrich tinha opinião negativa para 44%, agora são 63%. Romney também teve forte alta, passando de 30% para 54%. Santorum viu a sua rejeição dobrar (a sua aprovação também dobrou no período), saindo de 19% para 38%. Ron Paul foi o que apresentou menor crescimento nas opiniões desfavoráveis: eram 27% em maio de 2011, tornando-se 36% agora.

Já o presidente Obama possuía uma aprovação de 56%, enquanto agora o número é 53%. A sua rejeição passou de 42% para 45%.

Os números provam que a estratégia de Ron Paul de não apenas tentar ganhar à indicação republicana, mas, também, de conscientizar a população americana sobre a sua visão a respeito da economia, além da sua mensagem anti-guerras, está dando certo. O deputado libertário está plantando a semente para o seu filho, o senador Rand Paul.

A pesquisa foi realizada no entre os dias 10 e 13 de fevereiro com 1026 americanos, tendo como margem de erro 3%. Para ver a reportagem original, bem como a íntegra da pesquisa, clique aqui.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Uma noite triste

O que pensar?


Saí do trabalho e fui ao Shopping Tijuca lanchar. Chegando lá, parei na praça de alimentação e comecei a olhar em volta: várias camisas do fluminense. Pessoas animadas conversando com os amigos, certamente ansiosas pela estreia do seu time na mais importante competição do continente.

Eu me volto para o meu celular e a Comfogo está aberta. Era impossível não lembrar aquela sequência vergonhosa de derrotas que, mais uma vez, adiou o nosso sonho.

Sim, o nosso sonho não é ser campeão, é jogar a Libertadores.

Talvez, seja por isso a raiva incontida desses jogadores. Por mais que a diretoria seja culpada por não cobrar (ou não saber como fazê-lo), é inegável que os jogadores não tiveram o menor respeito por aqueles que são responsáveis pelos seus altos salários. São esses mesmos jogadores que também fracassaram em 2010. E eles continuam a querer o nosso apoio em 2012, mesmo conseguindo uma mísera vitória em quatro jogos em um campeonato carioca.

É uma falta de respeito alguém pedir algo da torcida. E são totalmente insensíveis aqueles torcedores que continuam a achar qualquer coisa diferente de apoio agora é torcer contra. Ninguém nasce com raiva, e ela também não surge no meio de uma manhã tranquila em Fernando de Noronha. A raiva é, antes de tudo, uma reação a tudo o que aconteceu, é um sinal de que ainda há gente que se importa.

Só pode ser cobrado quem está em débito. E nesse momento, quem está devendo são os jogadores. Enquanto todos pensam em times argentinos e uruguaios, o botafoguense vai pegar um trem calorento e cheio para ver um jogo decisivo contra o Olaria.

A resposta só pode vir das quatro linhas, não das arquibancadas. É obrigação dos jogadores conquistarem um título e trazer o sorriso de volta aos torcedores. E é obrigação da diretoria conscientizá-los disso.

Enquanto isso não acontece, nós iremos acumulando noites, semanas, meses e anos tristes.

OBS: Foto de Pavel Krukov, "No Inspiration"
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Andando em círculos

Tick, tack...

De certa forma, parte da bizarra campanha do Botafogo neste ano e no passado é culpa da torcida. 

Uma pequena parte dela elegeu o atual mandatário. E outra maior adotou a prática do tem que apoiar até a morte.

Tal atitude, que lembra aqueles pequenos roedores do norte, os lêmingues, que marcham até o oceano mesmo saber nadar provocando milhares e milhares de mortes, é extremamente prejudicial ao clube. Com ela, jogadores desafiaram a torcida mais de uma vez e não houve punição. Assim, constata-se que o pensamento vem de dentro do clube, lá do subsolo de General Severiano.

Os erros se repetem, não importa quem esteja sob a camisa. No alto comando, algumas figuras mudaram, mas o pensamento é o mesmo. André Silva, atual vice de futebol que desapareceu dos microfones, frequenta os bastidores e chefia a delegação em viagens há quase uma década. Enfim, ele já faz parte do problema.

Voltando à torcida: após um ano patético como 2011, não acharam que era necessário reclamar. Começaram 2012 como um aluno preguiçoso no início do ano escolar. Achavam que tudo seria diferente, mas, na verdade, a mudança ficou apenas na vontade. E, obviamente, os resultados estão sendo os mesmos.

Uma torcida que acredita que tudo vai ser diferente com a manutenção de uma zaga com Antônio Carlos e Fábio Ferreira e apenas um reserva, fora, claro, os dois laterais que não são especialistas em nada, não pode esperar grandes coisas.

Assim, vamos brigando com os fatos e com a razão: a nossa esperança reside na entrada do Herrera no segundo tempo para mudar as coisas.

Pobre Botafogo.
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Livraria Camões, no Centro do Rio, demite funcionários e encerra atividades


A Livraria Camões, no centro do Rio de Janeiro, fechou as suas portas no último 31 de janeiro. Os funcionários foram demitidos, embora a livraria vá abrir após passar por reformas e passar para o Grupo Almedina, também de Portugal.

Abaixo segue a minha segunda matéria para o Jornal de Notícias, de Portugal:


Note que a ordem das palavras na frase é um pouco diferente da que estamos acostumados aqui no Brasil. Dificilmente veríamos "encerra" no final de uma frase sem complemento da maneira que está na frase. Está sendo interessante atentar para essas pequenas diferenças na língua.

É legal dizer que essa matéria também foi para a página principal do Jornal de Notícias na manhã deste dia 1º de fevereiro. Na quinta-feira passada, o meu texto sobre o terrível desabamento no Rio de Janeiro também ganhou a primeira página do site. Motivo de orgulho.


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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Desabamento no Rio de Janeiro - minha matéria em Portugal e fotos



A minha matéria sobre o desabamento de três prédios ocorrido no Rio de Janeiro nesta quarta-feira, dia 25, foi publicada na página inicial do maior jornal de Portugal, o "Jornal de Notícias". Quem quiser lê-la, é só clicar no link abaixo. Peço também que, por favor, ajudem o amigo e cliquem em curtir para dar aquela força, certo?


Eu tirei 27 fotos na tarde desta quinta. Quem quiser vê-las, é só clicar no link abaixo. Uma nova página será aberta com as fotos em alta resolução.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Motel, inflação e o governo

Alguém lembra desta nota?

Estou lendo o excelente livro da Míriam Leitão (colunista do Globo) "Saga Brasileira - a longa luta de um povo por sua moeda". Ele relata os planos econômicos mirabolantes que o Brasil passou nas últimas décadas para, enfim, conseguirmos nos estabilizar com o Plano Real. São muitas histórias que deveriam ser engraçadas, mas, que, quando você para para refletir, tornam-se tristes - como a total incapacidade gerencial do Sarney, por exemplo.

Porém, ainda no Sarney, mais exatamente na parte sobre a implementação do Plano Cruzado, há um parágrafo que mostra o quão louca foi aquela época:

"O Cruzado foi intenso enquanto durou. Os arquivos da imprensa têm as marcas daquele tempo de alegre loucura. No dia 3 de março [nota: o plano começou no dia 28 de fevereiro de 1986], o Jornal do Brasil trazia a notícia realmente inesperada: "Casal seminu aparece na Sunab [Superintendência Nacional de Abastecimento e Preços] e denuncia motel por aumento." Tinha sido uma das 1200 denúncias que a Sunab recebera em dois dias de plano. Em tempo: o motel foi multado."

Controle de preços, inflação galopante, o populismo ao usar a população como fiscal de preços. Tudo isso pode parecer distante hoje, em 2012. Mas essa era a tônica do Brasil até o início da década de 90, quando, enfim, o Plano Real deu fim à hiperinflação.

Entretanto, a história e dezenas de livros nos mostram que o pai e mãe da inflação são um só: o governo. Ao aumentar os gastos em quantidade maior do que a arrecadação, o governo é obrigado a cobrir esse déficit seja através de impostos ou jogando novo dinheiro na economia. O primeiro diminui o consumo, o que não é bom para o governo. O último é bom para quase todo mundo, só que apenas no curto prazo.

Com mais dinheiro circulando, ele passa a valer menos - é a lógica de mercado - e os preços sobem até atingir o ponto de equilíbrio. Como há menos dinheiro, ele fica mais "caro", o que faz [ou deveria fazer, em situações normais] os juros subirem. Com isso, muitas empresas que precisam de empréstimos, podem vir a ter dificuldades para obtê-los ou renová-los. Além de, claro, com os preços em alta, o consumo diminui.

Esse não é um bom cenário para o governo, que, para não entrar imediatamente em uma recessão, reinicia o ciclo e continua a estimular o consumo, seja através de redução de impostos ou injeções de dinheiro.

Por fim, chega uma hora em que não é mais possível continuar a manter os juros baixos enquanto os preços sobem. Isso é populismo monetário, resta saber se consciente ou não.

Os tempos são outros, não precisamos de tabelas e nem de calculadoras, mas a setinha de preços no gráfico não para de subir.

OBS: Fui injusto e não citei que o livro foi presente da minha querida Caroline Guimarães. Falha minha!

Para entender melhor: "O que esperar da economia brasileira" por Leandro Roque no Instituto Mises Brasil.


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sábado, 21 de janeiro de 2012

Uma crítica às reportagens na televisão


Charlie Brooker, que comanda o programa Newswipe na BBC, faz uma hilária crítica às reportagens veiculadas na televisão. Em um ritmo de matéria, ele cita os clichês, sejam eles de angulação ou da escolha dos entrevistados e como eles se comportam, sejam as ilustrações. O resultado é que, em apenas dois minutos, constatamos que o jornalismo é bem parecido, seja feito aqui no Brasil ou na Inglaterra.
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Engenhão - Editais e outros documentos



Em 2007, o Botafogo venceu a licitação pelo Engenhão (Estádio Olímpico João Havelange ou Stadium Rio), ganhando direito de uso do estádio por 20 anos não-prorrogáveis. Foi uma bela conquista para o clube que ganhou uma nova fonte de receitas.

Abaixo disponibilizo diversos arquivos sobre o Engenhão. Todos estão no formato PDF, com exceção do croquis, que está em DOC.

Termo de Concessão
Documento que rege a relação entre o Botafogo e a prefeitura em relação ao Engenhão.

Edital de Concessão
Documento que definiu os termos da concessão para os interessados em participar da licitação. Contém os detalhes para a participação, bem como também listas os direitos e deveres para com o estádio.

Especificação do Engenhão
Detalha todos os aspectos do estádios como número de vagas, área do estádio e contorno e diversos outros itens

Croquis do Engenhão
Figura com as medidas de todo o complexo do estádio

Anexo IV
Documento onde foi feito a oferta na licitação

Edital de Leilão dos Camarotes
Contém as especificações do leilão realizado pela empresa Golden Goal em 2009.
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sábado, 14 de janeiro de 2012

Cavalo de Guerra - Filme


Vi "Cavalo de Guerra" (War Horse) no cinema. Para variar, Steven Spielberg usa e abusa do direito de tentar emocionar a audiência através da relação entre as pessoas e os seus animais de estimação.

O filme é sobre a amizade entre um cavalo (que, logicamente, é desprezado por quase todos, menos pelo dono e pelo pai dele) e um garoto. Depois, o cavalo vai à guerra (no caso, a Primeira Guerra Mundial) e passa por um monte de coisa, só faltando chegar até Berlin e matar o Kaiser.

Em um determinado momento, o sofrimento do bicho chega a... Bem, se eu falar, estraga. Mas essa parte lembrou muito o "Feliz Natal", de 2005, onde as tropas francesas e escocesas confraternizam com os inimigos alemães na noite de Natal.

E, claro, o filme é quase todo uma crítica às guerras. Mas nessa eu dou um desconto para o Spielberg.

Resumindo, o filme é mentiroso toda a vida, mas tem uma história, digamos, OK. Vale para levar a namorada ou se você é louco e vai ver tudo quanto é filme de guerra no cinema.
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A imprensa brasileira descobre Ron Paul


À medida que a primeira primária do Partido Republicano se aproximava, os meios de comunicação brasileira começavam a dar mais importância ao que um senhor de 76 anos, dono de um discurso bem diferente dos seus correligionários, dizia para a sua multidão crescente de apoiadores. A maioria de jovens completamente céticos em relação à Política. Quer dizer, até conhecerem Ron Paul.

Ron Paul, congressista pelo Texas (uma espécie de deputado federal) e médico, resolveu entrar para a política quando o então presidente Nixon acabou com o padrão-ouro na década em 1973. Sendo assim, Paul largou o jaleco e subiu no palanque para defender o dólar dos ataques do governo e do Banco Central e lutar pela causa da Liberdade.

Com o seu discurso, ele atraiu uma sólida legião de seguidores por todo o país. Porém, em nenhum momento nada chegou a ser parecido com o apoio que ele tem hoje. Em todo o país, há comitês da sua candidatura, o número de doadores só cresce e a organização da campanha é extremamente profissional, lição aprendida a duras penas nas eleições anteriores quando ele também tentou as primárias pelo Partido Republicano, perdeu e se candidatou pelo Partido Libertário - o que é permitido nos EUA.

Porém, aqui no Brasil, até compreensivelmente, Ron Paul é um completo desconhecido. Com o crescimento da sua popularidade (ficou em 3º na primária de Iowa, com 3% a menos que os líderes Rommey e Santorum), o deputado começa a ganhar espaço aqui na imprensa brasileira. O problema é o que colocam nesses espaços.

No dia 30 de dezembro de 2011, foi a vez do Portal Terra com "Pré-candidato Ron Paul pode perder por ideias radicais". No texto, algumas informações desencontradas como a que o Tea Party "o elegeu [Ron Paul] no final de fevereiro, em uma convenção realizada em Phoenix (Arizona), como favorito para a corrida pela Casa Branca.". Pela organização completamente descentralizada e pela ascendência ainda maior da Michele Bachmman sobre o movimento, fica difícil entender.

Mas o ponto em questão não é esse. O título informa que Ron Paul poderia perder pelas ideias radicais. Ora, se o que está em jogo é a nomeação pelo partido Republicano, então, as propostas devem ser analisadas sobre a perspectiva do partido. Com isso, as ideias sobre as fronteiras e imigrantes estariam dentro do prisma conservador, base do partido. Sobrariam, então, as ideias sobre a Economia e Política Externa que são as causas de maiores atritos entre Paul e os demais candidatos. Faltou, então, dizer quais eram (e por quais razões) as tais "ideias radicais".

"Não roube, o governo odeia competição"

Já no dia 3 de janeiro, a repórter da Globo, Elaine Bastlevou ao ar no Jornal nacional uma excelente matéria sobre as primárias e oscandidatos. No texto, ela chegou a usar a palavra libertário para descrevê-lo.

Com o resultado de Iowa, os jornais puderam fazer uma cobertura mais detalhada do que aconteceu e sobre quem são os candidatos. Na edição online, o Estadão deu mais destaque a Mitt Rommey e Rick Santorum, praticamente ignorando Ron Paul. Na Folha, o cenário se repetiu, com exceção do blog dos correspondentes "Pelo Mundo", onde Verena Fornetti, de Nova York, comentava que a venda de camisetas de Ron Paul foi maior que a de Obama na semana que antecedeu o Natal no site Cafe Press.

A exceção, ao menos na versão impressa, foi O Globo. O seu editorial "Disputa evidencia divisões republicanas" fez um bom apanhado dos candidatos, afirmou que Ron Paul "mostrou que não pode ser descartado. Ele é da ala libertária, não intervencionista e a favor da redução drástica do tamanho do governo. Slogans seus como guerra não, fim do banco central têm mais apelo entre o eleitorado jovem. Defende a legalização das drogas.".

Quem saiu do tom foi Demetrio Magnoli em sua coluna "Iowa: epígonos se despedem". A maior parte do poder de fogo de suas 895 palavras foi disparada contra Ron Paul. No primeiro parágrafo, há uma citação de Michel Medved sobre as primárias republicanas:

“[as primárias] se transformaram num bando selvagem, louco, do qual emanam noções excêntricas e irresponsáveis que os colocam à margem da corrente principal da política americana”.

Mais à frente, Magnoli informa que "Medved se referia especificamente a Ron Paul, um ponto fora da curva mesmo pelos padrões do Tea Party.".

Faltou Demetrio Magnoli informar quem é Michel Medved. Na descrição, ele é um analista conservador. Sim, ele também é. Só que ele é muito mais conhecido pelo seu programa de rádio que é transmitido para todo os EUA. Segue um trecho de um programa do dia 9 de setembro de 2011 onde Medved declara as suas preferências políticas:

"Vamos conversar com duas das pessoas responsáveis por aplicar as políticas que tiveram sucesso em manter os EUA longe das ameaças terroristas nos últimos 10 anos: Donald Rumsfeld, a quem eu admiro bastante e Dick Cheney, de quem sou amigo e admiro há mais de 30 anos."

Não é de se estranhar que alguém que admire Dick Cheney e Donald Rumsfeld, os dois maiores falcões da guerra do governo Bush, odeie Ron Paul.

Mais à frente, ainda sobre Paul, ele o define como "um libertário, no curioso sentido que o termo adquiriu nos EUA. Isolacionista radical, pacifista extremado, o texano atraiu um cortejo de adeptos antissemitas, arautos das conhecidas teorias conspiratórias sobre o 11 de setembro que fazem tanto sucesso entre esquerdistas e ultranacionalistas brasileiros.".

Demetrio Magnoli, que com tanta propriedade analisa a política brasileira, é raso na sua descrição do entendimento de Ron Paul sobre o 11 de setembro. Ao declarar que Ron Paul atraiu os fãs das teorias conspiratórias, os aproxima de quem acredita que foram os próprios EUA que atacaram as Torres Gêmeas - e essa visão é bem comum não apenas entre os quem enxergam uma grande manipulação mundial. O deputado texano sempre declarou que foram as políticas intervencionistas ao longo do século XX que provocaram a ira do povo muçulmano. Além de lembrar que foram os EUA que treinaram Osama Bin Laden.

Magnoli afirma também que "Paul não está tão distante dos demais pré-candidatos da direita republicana — isto é, todos eles, com a exceção parcial e qualificada de Mitt Romney.". Assim, ao praticamente ignorar Mitt Rommey, Demetrio Magnoli o preserva e o coloca acima dos demais. Curioso é que esse é exatamente esse o padrão da imprensa não conservadora não americana. Rommey seria o preferido por ser mais próximo ao centro. Quer dizer, de Obama.

A nota triste está por conta do jornalista Paulo Moreira Leite, colunista da Época. Em quatro colunas diretas sobre Ron Paul ("RonPaul quer o governo do mais forte", "A surrealista defesa de RonPaul", "Ron Paul e seus iludidos" e "Desfazendo mitos emtorno de Ron Paul"), o ex-diretor de redação da própria Época e do Diário de São Paulo, expõe todo o seu desconhecimento de Economia e, principalmente, sobre quem é Ron Paul. À parte os ataques ao capitalismo, há uma frase que merece ser destacada e que exemplifica toda a sua ignorância sobre as ideias de Ron Paul:

"Até aqui, temos o seguinte: o Estado não pode ter um banco para definir os juros, proteger o emprego e a moeda, como está inscrito no estatuto do Federal Reserve. Fazer isso é interferir na liberdade do mercado."

"O Fim do FED" livro do Ron Paul
 lançado no Brasil pelo Instituto Mises Brasil

Ora, Ron Paul acredita que justamente ao extinguir o Banco Central está sendo feita a defesa da moeda e, consequentemente, do emprego. São visões de mundo distintas, Paulo Moreira Leite. Recomendo ao colunista a leitura do texto da Reason Magazine "Ron Paul Reaches Out to the Youth of Occupy Wall Street

Enfim, agora que a campanha apenas começou, poderemos ver como a análise sobre Ron Paul e suas ideias serão feitas. A mediação dessa leitura será importante para entender o pensamento econômico brasileiro. Embora tenhamos que observar os conteúdos praticamente traduzidos das agências internacionais.
Em tempo, como ficou claro: eu apoio Ron Paul.
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O Globo - muita informação?

Ontem, dia 04 de janeiro, no ônibus do metrô aqui do Rio de Janeiro, alguém deixou a edição do dia do "O Globo". O primeiro passou, olhou e pegou apenas o primeiro caderno.

Já o segundo e o terceiro, apenas passaram os cadernos, como se estivessem procurando por algo, e não levaram nada.

É muito estranho. Se as pessoas se interessam por jornal - o que é comprovado pelo ato de procurar - por que não pegaram, sei lá, Esportes (embora alguém não acostumado ao "O Globo" dificilmente procure por esta seção no caderno de Economia) ou o Segundo Caderno?

Será que, então, apenas o primeiro caderno interessa por causa da capa, já que ali tem uma espécie de resumo das principais notícias? E se for, haveria alguma relação com os jornais do estilo Jornal Meia Hora e Jornal Expresso?
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O verdadeiro problema do transporte público no Rio de Janeiro

O tema mais frequente hoje nas redes sociais entre os cariocas é o aumento das passagens de ônibus na cidade do Rio de Janeiro. Embora alguns tenham reclamado do prefeito Eduardo Paes, a maioria se voltou contra os donos das empresas. A culpa, claro, é dos dois.

O estado mantém o controle através da concessão e planeja todo o transporte, obrigando as empresas a manterem linhas falidas e não há qualquer concorrência entre elas.

E o pior de tudo, nós pagamos duas vezes pelas passagens: quando pagamos a tarifa ao entrar e através dos impostos, já que ainda há subsídios para as empresas.

A maior prova que as empresas não querem investir é a falta de ar-condicionado nos ônibus da cidade. Ora, para que conforto se o lucro é garantido e não há concorrência?

No metrô, então, a vergonha é maior ainda. Onde estão os trens que deveriam ser entregues no meio do ano passado e cujo prazo havia sido estendido para dezembro de 2011?

Para terminar o raciocínio do parágrafo inicial, a culpa é dos empresários também, pois, claro, eles alimentam esse círculo com as pesadas doações. O sistema de transporte é um vespeiro e está todo mundo feliz assim - como veremos em outubro.
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