quinta-feira, 14 de maio de 2015

Fechando a noite da 35ª Festa Rockzinha nesta sexta-feira e essa série de entrevistas, falamos com Daniel Gomez, vocalista e guitarrista da The Bunker Band. O grupo está divulgando o seu EP "The Story Hasn't Been Told Yet", lançado no ano passado.

The Bunker Band já tem mais de 15 anos de atividades e o seu som é fortamente influenciado pelo britpop. Abaixo, a entrevista com Daniel.


The Bunk Band - Daniel é o do meio

Como foi o início da banda? Vocês sempre quiseram compor músicas ou começaram como banda cover?

Começamos como banda cover no final de 1999, mas pouco tempo depois eu já compunha, ainda que primariamente, algumas músicas que foram gradativamente entrando no nosso set. Hoje em dia, mudou muito e o amadurecimento é evidente no nosso primeiro EP “The Story Hasn´t Been Told Yet”.

E o por quê do inglês nas letras? Qual a temática que vocês abordam?

A língua inglesa sempre esteve comigo, desde pequeno ouvindo os discos do meu pai, ou músicas que ele tocava no violão para eu e meu irmão dormirmos. Eram as melhores canções de ninar do mundo. Crosby Stills Nash & Young, America, James Taylor, Beatles, e por aí vai...rs. Então, me apeguei ao idioma, e decidi aprender. Hoje é uma paixão! A nossa temática, hoje, com nosso EP é focada na batalha diária, do dia a dia. É praticamente uma guerra que enfrentamos nas nossos vidas.



Como foi a experiência de gravar um videoclip? Já deu para sentir o gostinho de ser um rockstar?

Sensacional! Podemos ali sentir o gostinho com certeza do que é a vida de uma banda grande. Como todas as regalias e mimos. Foi demais, e o resultado não poderia ser melhor!

Vocês participaram e venceram o concurso da revista Rolling Stone. Em junho, vão abrir para o Titãs em Belo Horizonte. Com isso, posso afirmar que a banda está em uma crescente. Onde vocês miram agora?

Com certeza! Estamos subindo degrau por degrau aos poucos. A vitória no concurso e agora poder abrir o show de uma das maiores bandas de rock do Brasil, é com certeza o ponto mais alto de nossa carreira e acredito que não vai parar por aí. Muita coisa boa ainda vai acontecer. Nosso objetivo é poder levar nossa música o mais longe que pudermos, e isso é só o começo!



Festa Rockzinho

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A 35ª edição da Festa Rockzinho trará de volta não apenas o Happy Hour, mas, também, a banda Lynx. Adentrando o terreno das composições próprias, o grupo prepara-se agora para mostrar o seu talento em outras áreas.

O público poderá conferir o resultado nesta sexta, no Bar Badalado. A Lynx é a segunda banda a se apresentar, com início previsto para as 22h. Enquanto isso, para tentarmos descobrir o que vem pela frente, batemos um papo com o guitarrista e o compositor do grupo, Douglas Gomes. Confiram abaixo o resultado.

Saiba mais sobre a Festa Rockzinho #35 @Bar Badalado

Lynx em ação na Festa Rockzinho

Na última vez que conversamos, a Lynx ainda era uma banda cover. Agora, já estão começando a apresentar as suas próprias composições. O que os levou a mudar?

Tocar covers é muito bom! Nos entrosou como banda, nos aproximou do público, principalmente o que não nos conhecia, mas conhecia o que tocávamos. Mostrou nosso valor como músicos, sim pretendemos ter covers também nos setlists, mas nós ficamos inquietos. Todo mundo tem uma história pra contar. Nem que seja de terceiros ou utópica, fictícia, uma ideologia pra expandir, um assunto que domina, etc. E se você tem o dom, por que não contá-la? Você pode "correr o risco" de encontrar alguém ou alguns que pensam como você é poderá proporcionar um bom momento de lazer, reflexão, uma comunicação, e por que não influência ou inspiração?

Os set lists da Lynx passam por grupos de diferentes estilos dentro do rock. Com isso, para qual estilo irão seguir as composições?

Vários! [risos]. Quando eu, Rubem (guitarra) e Paulo (bateria) formamos a Lynx já tínhamos a proposta de tocar músicas boas, sem nos importar com rótulos, dentro do rock. E então encontramos mais 3 loucos (Rodrigo, Leandro e Izabele) que também curtiram a mesma proposta. Porém, quando passamos a nos apresentar, parecia que estávamos em hospícios [risos] porque estava cheio de loucos como nós, nos acompanhando em cada música. 

Galera do metal cantando Bon Jovi, "tiazinhas" balançando a cabeça com Metallica... Que bom que vemos um mundo com menos preconceito.

Mas sim, somos independentes, gostamos de várias vertentes, então pretendemos nos expressar de várias formas e tanto em inglês quanto em português. Nunca vimos isso, mas nos sentimos bem assim.



Quantas composições vocês já possuem? Todas já estão prontas para serem apresentadas ao vivo?

Umas doze composições. Mas que tocamos em grupo, por enquanto, três. 

Além de serem composições recentes, cada um tem sua profissão, dedicação e agenda. Então temos um tempo entre a teoria e a prática, que vem ficando cada vez menor. 

As composições atuais são minhas, ou do Rubem ou de ambos (amizade das antigas). Algumas concluídas, outras praticamente e poucas com harmonia somente. Temos heavy/power metal, rock nacional estilo anos 80 (ambas tocaremos na próxima Festa Rockzinho), balada, pop rock, classic rock, hard rock e alguma pegada de blues também.

Já tem planos de entrarem em estúdio para lançarem material?

Sim, na verdade já iniciamos a gravação de Gotta Fight Hard (assistam ao vivo no dia 15/05), mas tivemos um pequeno atraso de agenda com estúdio, com isso a lançaremos mês que vem. E em breve pretendemos lançar um EP ou, quem sabe, nosso LP logo. Basta termos foco e estratégia.

Acompanhem essas e outras novidades em www.bandalynx.com ou facebook.com/lynxbanda


Festa Rockzinho

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A Rockzinho volta ao seu horário tradicional de happy hour nesta sexta-feira, dia 15 de maio. Para melhorar, a festa continuará a ter bandas ao vivo engrandecendo a noite, com três atrações celebrando o Rock 'n' Roll em todos as suas fases.

A primeira banda é a Sound6. Já veterana da noite da Lapa, o grupo constantemente se apresenta no bairro da boêmia em diversas casas da região. Para conhecermos um pouco mais a banda, bati um papo com  Paulo Ferreira, um dos guitarristas do grupo. Vejam como foi abaixo - não esqueçam de dar play no vídeo.

Saiba mais sobre a Festa Rockzinho #35 @Bar Badalado

A banda Sound6. Paulo é o que está à frente, à direita
Quando a banda surgiu? A formação já mudou bastante?

Paulo -  A banda foi formada em 2011 com duas guitarras, baixo, bateria, gaita e vocal. Tivemos ainda uma formação com teclado, mas sempre com seis integrantes. Daí o nome da banda Sound6. Hoje temos cinco integrantes, mas mantivemos o nome, pois sempre convidamos parceiros a participar.

Por que montar uma banda de rock?

Nós gostamos de tocar. Embora tenhamos estilos variados todos da banda têm em comum a paixão pelo rock. Seja ele clássico ou contemporâneo.



Como se dá o processo de seleção das músicas para o repertório? Ele não parece privilegiar nenhum estilo dentro do rock.

Normalmente fazemos um brainstorming de idéias nos ensaios e reuniões, depois decidimos pelo que funciona melhor com a identidade da  banda.

Conte alguma história curiosa ou engraçada que tenha acontecido com a banda.

Uma vez estávamos ensaiando a música "A Mais Pedida" do Raimundos no estúdio. Quando estávamos no meio da execução, a Érica (Martins, agora no Autoramas) que gravou com o Raimundos, invadiu a sala e fez a parte dela da música. Ela estava com os amigos em um evento no estúdio. Foi inesperado e divertido.

Até sexta!

No Facebook - Banda Sound6

domingo, 22 de março de 2015

Durante muitas madrugadas eu costumava ligar o computador para assistir aos jogos do meu time de NBA, o Phoenix Suns. Eu ainda não tinha assinado o League Pass da NBA para poder ter acesso às partidas ao vivo em HD, com isso, restavam-me apenas transmissões precárias de sites ao redor do mundo.

Entre uma interrupção e outra, estava lá um jogador branco, com cabelo liso e menos de cinco centímetros a mais do que eu. Dificilmente eu poderia ter sido um jogador de basquete, pois as minhas únicas vantagens era ser mais rápido do que a maioria e ter um bom arremesso de três. A minha dificuldade estava na preguiça, eu não tinha a menor vontade de ser atleta.

Mas Nash esfregava na minha cara e na de todos os outros como a dedicação recompensa. Uma de suas frases favoritas é "se todo mundo [na NBA] se esforçasse como eu, [eu] não teria emprego". É quase unanimidade na Liga o reconhecimento ao seu entusiasmo pelos treinamentos e por aprimorar todos os seus aspectos do jogo. Tudo isso com uma lesão nas costas que o obrigava a tratamentos diários e que fariam a maioria das pessoas simplesmente desistir. Mas ele não apenas continuou em frente, teve o seu auge após os 30 anos (idade que a maioria dos armadores começa a declinar), comandou os ataques mais eficientes da NBA por nove seguintes e ainda foi o MVP (jogador mais valioso) por duas vezes.

Só que os feitos de Nash foram ainda mais fantásticos que os números possam provar. O armador canadense mudou o basquete americano. A partir de sua volta ao Suns em 2004, Nash e o treinador Mike D'Antoni promoveram uma revolução na NBA que fez com a maioria das equipes mudassem o seu estilo. Com a filosofia de arremessar antes dos sete segundos de posse de bola, pois é o período no qual as defesas ainda não se posicionaram (chamada de "seven seconds or less"), fizeram a NBA entrar depois em um período de armadores velozes, mais arremessos de três e jogadores abertos nas pontas. Aquele Phoenix Suns mudou a NBA para um esporte mais divertido.

Porém, tudo isso já foi falado e mostrado em vídeo, inclusive a vergonha das semifinais de 2007 contra o Spurs, naquele que foi considerado uma das arbitragens mais vergonhosas da NBA e que nos custou a classificação, com o juiz sendo preso posteriormente em um escândalo de apostas. Só que isso tudo é menor diante do que Nash realmente proporcionou, dentro e fora de quadra.

A admiração pelo armador, seja através dos jogadores ou imprensa, também se dá pela simpatia, honestidade e respeito ao adversário. Nash era o rei do "High5", o cumprimento que os americanos fazem ao baterem a palma da mão contra a palma de outra pessoa. Há tantas piadas sobre isso, mas era inegável a sua vontade de incluir a todos na equipe, de nunca deixar o ânimo cair, de ser aquele que puxa todos para cima.



Isso, claro, é admirável, mas Nash ainda, ao menos para mim, foi uma influência ainda maior. Parte principal do trabalho de um armador é antever as jogadas, procurar entender os desdobramentos de cada ação. Por que, em diversas jogadas, ele parecia saber onde cada um dos seus companheiros estaria e, assim, conseguia extrair o melhor de cada um. Nash tornou melhores jogadores que nunca mais tiveram exibições próximas àquelas sob seu comando.

Assim, para mim, provavelmente sem saber, eu ia absorvendo. Talvez, ao acompanhar as muitas entrevistas e vídeos com ele, eu deva ter aprendido algo. Lá por volta de 2010, um ano importantíssimo para mim, não em um momento único, mas em um processo, você se dá conta do quanto o longo prazo é importante. Que pensar nos outros, nas suas ações, de ser persistente e em sempre planejar são atitudes essenciais para ser bem sucedido, seja lá o que isso signifique para você. É necessário olhar em volta, ver algo mais, as consequências dos atos, não apenas abaixar a cabeça e seguir em frente. Nós não estamos sozinhos.

Tudo isso, mesmo com todas as dores e adversidades, com um sorriso e com a satisfação de quem estava vivendo anos incríveis. Ontem, ao se despedir, Nash escreveu que os anos com o Suns foram os melhores de sua vida.

Não posso dizer que tenham sido os da minha, mas foram anos incríveis.

Obrigado, Nash.

OBS: Mais sobre a vergonhosa série de 2007 contra o Spurs aqui e aqui

sábado, 3 de janeiro de 2015

SOBRE MUDANÇAS
(e este não é um texto apenas sobre música)

O Bay City Rollers era uma das maiores bandas do mundo na segunda metade da década de 70. As turnês eram sucesso, os álbuns vendiam milhões e eles chegaram a ganhar um programa de TV. Entretanto, tão rápido quanto chegou, a fama se foi trazida pelas brigas e vaidade.

Curioso é que, antes do fim, eles compuseram essa maravilha aqui abaixo que é uma das minhas canções favoritas de todos os tempos. Ela fala sobre alguém que foi famoso e é parado na rua por outra pessoa que sabe que o protagonista foi famoso, mais não consegue reconhecê-lo, mas mesmo, assim, inicia um diálogo e pergunta se era ele que estava na TV todo dia.

A 2ª estrofe é basicamente o mesmo assunto, só que o protagonista, agora com um pouco de raiva, responde e recomenda que, se o fã se sente mal, então, não pergunte nada e que é melhor passar direto. E ele fica feliz que o fã não sabe tudo o que ele passou. Talvez esta parte pareça dura, mas, com o refrão, ela faz todo o sentido.

Mas é o refrão que é realmente importante. Ali a banda reconhece a queda e, assim, recomenda que, se você não quiser ser um "herói do passado", deve planejar e sempre melhorar e há uma ênfase em se recompor, provavelmente por causa das drogas.



Enfim, mas há uma lição ali de quem esteve no topo e perdeu tudo. Sempre se deve melhorar, nunca considerar que está tudo bem e apenas seguir em frente. Isso, claro, vale para trabalho, relacionamentos e provavelmente tudo nessa vida. A força de algo não pode vir apenas da idade.

Lembrei agora da comunidade do orkut: "discos são bons professores"

Feliz 2015!

Bay City Rollers - "Yesterday's Heroes" (1976)
When we walk down the street
See the people who stop and stare
And say "Haven't I seen that face
Somewhere a long time ago? "
Wehn we walk down the street
See the stranger who say
"Why hi! Well how you doin' buddy,
When you walked on by, I thought I'd say hello. "
They say: "Haven't I seen your face before?
Weren't you the boy that used to live next door?
Weren't you on television every
Night, haven't I seen you 'round? "

*We don't wanna be a yesterday's hero
A Yesterday's hero
That's all we'll be
We don't wanna be a yesterday's hero
A yesterday's hero
That's all that we're gonna be
If we don't get together
Make a new plan and be constantly better
All that we'll be if we don't get it together now.

When we walk down the street
If you know me than pass me by
If you wonder what I'm doin'
Don't ask me why I don't read the news
When we walk down the street
If you're sorry then don't feel bad
If you follow my story
I'm just as glad you ain't in my shoes
Because haven't you seen my face before
Yes I was the boy who used to live next door
Yes I was on television every night
Haven't you seen me 'round?

Spoken: Ladies and gentlemen,
The Bay City Rollers....
Everybody move back
Will you go, will you move back... Back! "

We don't wanna be yesterday's hero,
Yesterday's hero,
No, no
We don't wanna be yesterday's hero,
Yesterday's hero,
No, no
Repeat and fade

domingo, 14 de dezembro de 2014

SET LISTA DA FESTA ROCKZINHO DE ONTEM E AS ESCOLHAS DAS MÚSICAS

Não gosto de usar o termo DJ, nada contra ele. Na verdade, também não gosto do termo jornalista, mas, enfim, sigamos.

Acredito nas músicas, escolher uma sequência delas de forma que tenham sentido e se conectem, criando um clima propício à diversão do público, esteja ele dançando, batendo o pé no chão ou as mãos na mesa.

Mas a tarefa de escolher está inteiramente ligada ao ambiente. Uma mesma sequência que fosse especial em um determinado lugar, pode não funcionar em outro, claro. E é por isso que você tem que se preocupar com iluminação, onde o público vai ficar, como ele irá chegar e se posicionar - e isso tudo também é limitado pela direção das casas, já que, obviamente, não podemos, com razão, sair mexendo em tudo.

Com isso, uma festa com bandas acaba por ser diferente. A parte do público que sai de casa por parte de uma das bandas, pode ficar satisfeita somente ao ver o seu grupo e tudo o mais ser um bônus. Mas há também aqueles que só querem ouvir do DJ o que seja relacionado ao grupo que ele veio assistir. Esse é difícil.

Assim, ao decidir pelo que faria, optei por algo mais dançante e com uma sonoridade mais pop, mas, ainda assim, com a roupagem rock. Ao começar com Queen, uma banda que agrada à maioria dos fãs de rock, poderia diminuir a rejeição às batidas mais eletrônicas. Depois, seguir com Blondie, em uma versão menor do que a habitual de "Heart of Glass" e seguir com esse remix de Clash. Daí em diante, para as do Bastille, Arcade Fire e a Regina Spektor, as músicas uniam-se pelo forte ritmo da bateria. Depois, uma homenagem ao Rock mais clássico com ZZ Top e T.Rex. A canção do Oasis tem muito de T.Rex e a conexão com a "Bang A Gong", quando você as ouve em sequência, é bem óbvia. Pearl Jam e Hole vieram para saciar os fãs de Soundgarden, já que a banda que havia subido ao palco anteriormente era de cover do grupo.

O segundo bloco foi dedicado às músicas mais novas e mais dançantes, ainda dentro do rock e saindo levemente ao final, em constraste com as altas guitarras de boa parte da noite. Isso, é bom frisar, foi feito enquanto ajudava a desmontar alguns equipamentos. Mas há sequência ali.

Festa Rockzinho - Festa Rockzinho - 2 anos! 13/12 - com as bandas Lynx, Sonics (Soundgarden cover) e Tapete RED

SET 1 - Após a banda Sonics

Queen & David Bowie - Under Pressure (Rah Mix)
Blondie - Heart of Glass (Censored 7" Mix - US 79)
The Clash - Rock the Casbah (Hot Tracks Remix)
Bastille - Icarus
Arcade Fire - Keep the Car Running
Regina Spektor - You've Got Time
The Vaccines - If You Wanna
Carbon/Silicon - The News
Oasis - Cigarettes & Alcohol
T.Rex - Bang A Gong (Get It On)
ZZ Top - Legs
Pearl Jam - Reaviewmirror
Hole - Gold Dust Woman (edit)

SET 2 - Após a banda Lynx

Green Day - Kill the DJ
Muse - Panic Station
The Black Keys - Fever
Foster the People - Houdini
Fitz and the Tantrums - The Walker
Vampire Weekend - Diane Young
Kate Miller-Heidke (ft. Drapht) - Drama
Said the Whale - I Love You

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Seguindo a série de entrevistas para a Festa Rockzinho Live! #31, conversei com Rubem Barreto, guitarrista da banda Lynx. Nas conversas que antecederam o bate-papo que vocês poderão ler abaixo, pude perceber o quão séria é a banda. Rubem pareceu-me bem focado no que queria, planejando bem os passos da banda.
Lynx ao final de um show
Isso é bom, afinal, música não é só subir no palco, envolve muito mais coisas para que o momento que você canta o refrão junto ao vocalista aconteça. Enfim, saí um pouco do caminho, voltemos para a música.

A banda Lynx, até o momento, é uma banda de covers. Quer dizer, versões, como vocês poderão ver. E quantas versões! A banda não se preocupa mesmo em ficar limitada em um estilo, passeando mesmo por várias vertentes do rock. Bem, deixo o Rubem falar agora.



1 - Por que uma banda cover?

Rubem Barreto (guitarrista) - A proposta inicial não era para ser uma banda cover, fizemos apenas para voltar ao ritmo. E está dando certo.

2 - Vocês priorizam mais algum estilo?

RB - Não. Tocamos desde coisas mais lights, como Nickelback e vamos até o Judas Priest. Mas depende mesmo do show e do público que vamos encontrar.

3 - Como funciona o processo de escolha das músicas do repertório? 

RB - É por votação. Restringimos a 2 músicas, no máximo, de cada banda. Escolhemos um grupo e só então partimos para a música. Colocamos um "hino" ou outro e tentamos mesclar mais com outras músicas que gostamos, mesmo que não sejam tão conhecidas.

Rubem no estúdio
4 - Vocês participam de alguma outra banda?

RB - Não, no momento, todos tocam somente na Lynx.

5 - Se os covers eram para "voltar ao ritmo", como estão as composições próprias?

RB - É, começamos a compor há uns seis meses. A linha é mais voltada para o metal, só que em português.

6 - A banda Lynx já fez dois shows e ambos estiveram lotados. Para o próximo, a venda antecipada foi ótima. Como você explica isso?

RB - Nós agradamos muita gente pois não restringimos a banda a um estilo só. Fugimos dos covers óbvios. 

7 - O que as pessoas podem esperar do show da Lynx?

RB - Um show bem animado, ninguém vai ficar parado. Passearemos por clássicos dos anos 60 aos anos 2000 e agradando todas as idades. Que todos se identifiquem ou cantem algumas das músicas.

Será também a estreia da Izabele Cassou, uma vocalista experiente e que ela está vindo para acrescentar ainda. 

8 - Por que as pessoas devem ir ao show da Lynx?

RB - Tentamos fazer algo diferente em cada show e diferente do original. Temos um homem e uma mulher nos vocais. Nós não queremos ser iguais aos originais, fazemos versões. Isso agrada às pessoas e certamente vai agradar ao público da Festa Rockzinho. 

Ingressos antecipados para a 31ª Festa Rockzinho Live! com as bandas Linda Lobo, Lynx e Drama: www.rockzinho.com.br/ingressos

Mais informações: www.rockzinho.com.br/festa

Nos próximos dias, entrevista com a bandas Drama. Veja o bate-papo com o pessoal da Linda Lobo.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Milhões de explicações irão surgir para explicar a derrota, assim como eram muitos os números que buscavam para garantirem a vitória do Brasil. Mas futebol se ganha no campo; fora dele, você só se prepara para minimizar os riscos e potencializar as características mais fortes.

O Brasil começou a perder lá atrás. Uma geração foi perdida com a perda do Adriano, Kaká e Ronaldinho Gaúcho (essa lembrança é do Fernando Lôpo). Antes da Copa, quando me perguntavam sobre o Brasil, eu explicava o meu descrédito com a inexperiência do time: não há aquele jogador que chamamos de "cascudo". Ele não precisa ser o melhor, mas é aquele que dita o ritmo, que é experiente e que os mais novos olham procurando por tranquilidade.

Não há um Schweinsteiger, um Pirlo. Não há um Didi. O "Princípe Etíope", na final de 58, quando o Brasil levou o 1º gol, caminhou até dentro, pegou a bola, colocou-a debaixo do braço e foi CAMINHANDO até o meio-campo. Zagallo falou isso:

“Eu já estava na ponta-esquerda, pronto para dar a saída, e vi o Didi andando devagar com a bola nos braços. Fui desesperado em direção a ele, gritando: ‘vamos, Didi, estamos perdendo!’. E ele: ‘calma, garoto. Nosso time continua sendo melhor que o deles. Fica tranquilo que a gente já vira esse jogo’”, conta Zagallo ao FIFA.com. “E, ouvindo aquilo, de repente todo mundo ficou calmo. Empatamos cinco minutos depois, e o resto é história. Assim era o Didi: fazia tudo parecer fácil, fácil.”

Nunca teremos outro Didi. Ou mais ninguém do passado. Mas a lição que fica é que um time inexperiente não vence.

Outro aspecto é o psicológico. Muitos foram as notícias sobre o descontrole emocional e isso só foi discutido DURANTE a Copa. Ninguém da CBF havia notado isso na preparação? Ora, ainda no jogo inicial, Thiago Silva estava chorando antes da entrada. Julio Cesar, hoje, falou logo sobre as suas muitas falhas na Copa de 2010, que deixam claro que isso estava bem fresco na sua cabeça - e ele deveria ser um dos líderes. E líderes guiam e olham para frente.

Foi duro. Mas deve ter sido mais duro ainda para aqueles que não são tão ligados em futebol, mas que se envolvem demais na seleção brasileira na Copa do Mundo., A julgar pelo que li, não contavam com a derrota. E quando não existe na cabeça a possibilidade de ser vencido, a derrota é devastadora.
Que essa geração não seja queimada para 2018. A derrota para a Argentina em 90 ajudou e muito em 94.

terça-feira, 24 de junho de 2014


Respeito total pela torcida da Inglaterra. A maioria está junta, em um canto. Quando chega a chatíssima "ola", eles param e a ignoram. E depois voltam às suas dezenas de músicas.

Aliás, eles e os argentinos.

O problema não é o futebol moderno. O futebol, para alguns, é a chance de se sentir incluído. Mas, agora, não é apenas isso, a torcida passa a ser a própria atração, o que potencializa o sentimento de inclusão.

Os apaixonados serão minoria.

domingo, 22 de junho de 2014

Por todos os lados, mas não de todas as direções, brotam sentimentos de ódio em relação aos argentinos. Desta vez, usando a justificativa das confusões aprontadas por milhares de hermanos no Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Sim, são milhares. E a maioria de homens. Anotem o dado por enquanto.

Homens, longe de casa e sem mulheres por perto, costumam se comportar mal ou fazerem brincadeiras que lembram adolescentes, algumas verbais, outras não. Perguntem, então, aos seus amigos que moram nos EUA ou na Europa, a fama de brasileiros por lá - as chances são grandes de ela ser medida pelos grupos de homens, não pela população turista. Aliás, não só a de brasileiros. Consultem também o que acham dos jovens espanhóis, por exemplo.

Lembrando aqui de quando nós botafoguenses estávamos em Buenos Aires e cantávamos alto em uma praça de Palermo às 4 da manhã. Se um grupo de argentinos aparecesse por lá, haveria uma boa chance de se repetir o que aconteceu em Belo Horizonte.

Isso não quer dizer que a zona seja aceitável. Mas ela é comum a muitas nacionalidades justamente por não ter relação algumas com o país, mas, principalmente, com a juventude e à falta de educação.

Os argentinos não são os bagunceiros que vieram para cá. Mas aqueles que aproveitaram a situação para dizer que odeiam pessoas, que elas têm mais que entrar na porrada por causa da sua nacionalidade, que os argentinos são todos uns fedidos, são e sempre serão brasileiros.

Há um misto de patriotismo e nacionalismo nessas reações. E embora ambos os sentimentos sejam também detestáveis, um é mais perigoso que o outro, claro.

E é isso que me envergonha. Os argentinos voltarão para casa, mas os "nossos" idiotas ficam.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Antes de começar, um lembrete: Dilma usou a cadeia pública de rádio e TV na terça para fazer o discurso que deveria ter feito ontem no estádio. A presidente fez uso de um expediente que deveria ser informativo para fazer política e apontar o dedo para aqueles que, segundo ela, "torciam contra" - a velha prática de criar os inimigos da nação. Não foi sem razão que ela citou os seus torturadores na ditadura no discurso de hoje.

Posto isso, após as inúmeras vaias e xingamentos direcionados à presidente, surgiu a reação em manada. "Coxinhas", "elite" e outras palavras que procuravam rotular e, com isso, desqualificar quem ousou expressar a sua revolta no Itaqueirão. Nessa dicotomia (deles), os corneteiros foram o que são os Black Blocs para a parte civilizada da sociedade: vândalos.

Mas, claro, vamos ao cerne das críticas e elas explicam muito a nossa sociedade.

A tática Black Bloc deixou um rastro de destruição de propriedade privada e pública, além de ter afastado a classe média das ruas graças à violência das suas ações - e por isto foram repudiados: pelo que fizeram, não pelo que eram.

Já o público de ontem, não. As críticas que li destacavam a condição social ou econômica dos que se manifestaram - e, assim, limitavam a análise a este fato. E, claro, por serem "ricos", "coxinhas", "playboys" e etc, não poderiam se manifestar.

E, claro, o ridículo que é condenar uma multidão por uma atitude como essa. Os gritos em um estádio são manifestações espontâneas, mesmo que, digamos, cem pessoas tenham combinado antes de puxarem gritos. Se não houver uma pré-disposição do público, esses cem ficarão sozinhos. E ontem foi o estádio todo que se manifestou.

Aliás, isso não foi a primeira vez que ocorreu. E não será a última.

O brasileiro está cansado de ser roubado e enganado. As notícias de corrupção e incompetência assolam o noticiário. As obras da Copa do Mundo, que deveriam levar melhorias para a população, mesmo tendo rasgado a Lei de Licitações, não decolaram. Uma hora o povo cansa, ainda mais que não é o sempre que você está no mesmo ambiente que a presidente.

E o fascismo? Boa pergunta.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Amanhã tem Copa, mas falta alguma coisa - e ninguém vai se importar com isso. A Dilma não liga se o PMDB quase se rebelou ou se o estádio de Manaus está tendo obra enquanto você lê esse texto.

Diferente também está aquele seu amiguinho que você achava legal, mas que agora vocifera contra quem reclamava da Copa e quer aproveitá-la. Na próxima vez (toc, toc, toc) que eu tiver que ir a algum hospital público, vou pensar no amiguinho e procurar aquela caixinha de "sugestões/elogios/críticas".

Aliás, falando em diferente, o TSE entrou na festa e pede para "mulher votar em mulher". É mais ou menos como aquela lógica que um político americano falou sobre o voto gay: "as pessoas acham que os gays só fazem sexo o dia inteiro, mas eles também têm emprego e fazem compras". Resumindo para os leitores de orelha: a crítica é para arrogância e absurdo de um órgão de estado falar em quem alguém deve votar, como se cada grupo votasse igual - isso é o papai governo no seu nível máximo.

E falando em mulher e mudança, hoje é dia dos namorados, não é? Já que vocês detestam futebol, segundo algumas marcas.

Mudanças, mudanças... O conservadorismo na política pode ser definido também em uma frase: "para conservar a sociedade, nós precisamos de mudança". Essa é velha escola conservadora americana, mas o Brasil vai mudando para ficar igual. E, com isso, seguimos o nosso rumo de nos meter cada vez mais na vida dos outros. E de tanto fazer isso, acabamos achando que as pessoas fazem o mesmo conosco.

Porém, a Copa chegou. E para fazer os 12 estádios, os gastos aumentaram, assim como o de pessoas que reclamam. Mas quem reclama, reclama da Copa ou reclama do dinheiro gasto? Indignação seletiva não resolve muita coisa, já que tem muita fogueira de dinheiro queimando permanentemente. Uns baldes d'água imaginários nelas, ao menos aumentariam a barrinha de coerência.

E coerência é nosso forte, certo? O PMDB disse que ia rachar, mas está indo. O Brasil disse que ia parar, mas está indo. O metrô ia parar, mas está indo (exceto entre a Praça XV e Central). E amanhã todos estarão xingando aquele seu vizinho que ouve o jogo na rádio e grita maleficamente para zombar do seu delay Full HD.

E, lá no fundo, era isso que você gostaria que mudasse. Mas não vai.

‪#‎fui‬

segunda-feira, 21 de abril de 2014


O amor é o tema mais monótono que existe na arte. Por ser o único tema universal, é a ele que apelam para atingir o maior público possível.

E a maioria das bandas do Punk tinham uma postura claramente contra essa temática. Joe Strummer, do Clash, declarava que "Passion is a Fashion" ("a paixão é moda") e Johnny Rotten, do Sex Pistols, argumentava que não poderia cantar as canções de amor pois "poucas delas eram reais. Não são sobre amor, mas sobre qualquer coisa".

Entretanto, outras bandas, particularmente da segunda geração, exploraram demais a temática, focando em um dos pontos principais do Punk: o retorno às origens do rock.

Assim, se o The Undertones escreveu a melhor canção sobre o amor do rock ("Teenage Kicks"), o The Only Ones chegou bem perto.

OK, eu escrevo todo ano sobre essa música, mas, quem sabe?, esteja ajudando uma alma a descobrir essa maravilha. 36 anos para ela hoje.


sábado, 22 de fevereiro de 2014

Uma foto-resumo da Ucrânia (Chicago Tribune)
Madrugada agitada na Ucrânia. O presidente fugiu da capital, mas anunciou que não renunciou. A Câmara acabou de destituir o presidente e convocou novas eleições. Os deputados estão sendo saudados nas ruas.

Também agora, a antiga primeira-ministra, Yulia Tymoshenko, foi libertada da prisão. Ela havia sido presa por corrupção em um processo bastante contestado.

O carro com a ex-primeira ministra (@MaloverjanBBC)
A Ucrânia encontra-se agora com dois problemas. O primeiro é como irão lidar com essa transição. A volta à Constituição de 2004 parece ser um bom início, mas vamos ver qual será o papel do partido de ultra-direita Svoboda nessa transição.

O segundo problema é a região da Crimeia, fortemente ligada à Rússia. O vídeo abaixo mostra o espancamento de um soldado na região por ucranianos pró-Rússia. Há até queima de bandeira americana. A região irá aceitar um novo governo que, se seguir a vontade popular, terá que se afastar da Rússia e se aproximar da União Europeia?

E qual será a reação de Putin? O agora ex-presidente Yanukovych seguiu a linha russa e apontou que houve um golpe nazista na Ucrânia. Eles forçarão a total independência da Crimeia? Lembrando que ela é uma República Autônoma, mas ligada à Ucrânia, porém, com constituição própria.

Na Crimeia, zona da Ucrânia mais ligada à Rússia, 
manifestantes espancam um soldado

Nessa manhã, invadiram a mansão do ex-presidente Yanukovych. O lugar é tão grande que havia um zoológico lá dentro. Em um rio próximo a uma das casas abandonadas pelo ex-presidente, foram encontrados muitos documentos. André Fran fez uma boa comparação:

Também pela manhã, houve a derrubada de várias estátuas do Lênin. A imagem do ex-ditador soviético ainda é uma importante lembrança dos séculos de domínio russo. Para entender melhor a formação da identidade da Ucrânia, leia o meu texto anterior sobre a crise na Ucrânia

Se essa transição for feita de maneira correta, mantendo as eleições, são grandes as chances de que ela contagie outros lugares. A questão é aguardar os próximos acontecimentos e ver as ligações políticas dos ministros interinos que devem ser indicados - e quem fará as indicações também é importante. Que seja o Congresso.

Finalizando, um bom artigo da revista americana (e mais próxima dos Democratas), Slate que rebate as acusações de que os manifestantes são ligados à extrema-direita e/ou ao nazismo.

Vamos ver agora como essas notícias serão recebidas na Venezuela.